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Quinta-feira, 12 novembro de 2009   edições anteriores
TURISMO
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  Arte colorida e bem-humorada

Dois artistas de estilos opostos esbanjam talento em Prado. Agadman (ele só usa o primeiro nome) cria quadros com personalidade e esculturas trabalhadas. Já Sávio Renan utiliza o coco seco como matéria-prima para fazer imagens de personalidades da política e da música.

À primeira vista, a casa de Agadman, na frente da praia do centro, parece um tanto comum. Mas não é. Projetada pelo artista plástico, o ateliê tem ângulos que propiciam uma incrível harmonia com o espaço exterior.

“Eu zerei a matéria”, explica, enquanto rabisca em um papel a fórmula que usa em seus quadros e também na construção da casa, toda envidraçada. As janelas foram colocadas em ângulos específicos, de maneira que as imagens parecem se sobrepor ao olhar do espectador.

Parece difícil de imaginar. Mas se trata de um exercício fotográfico. Basta focar em uma ou outra área do vidro para observar o muro cinza da casa vizinha ser invadido pelo mar. Ou, em outra parte, ver um grupo de jovens caminhar sobre as águas, no que ele descreve como “cinema ao vivo”.

Realmente, às vezes, a impressão que se tem é que nem a boca nem a mão que rabisca o papel conseguem acompanhar a velocidade das ideias de Agadman. Seguir o raciocínio rápido desse piauiense que cresceu em Brasília é desafiador. Seus quadros são feitos para quem quer descobrir detalhes, criar a própria versão da pintura. Utilizam a mesma fórmula artística da casa, uma espécie de boneco-palito estilizado. “Posso usar (a fórmula) até para movimentos de dança.” Vale visitar o ateliê, que ele divide com seu filho, Agman, para ver tudo de perto.

Na casa de Sávio Renan, no entanto, basta bater o olho nos personagens agrupados para identificar as caricaturas de Lula, Antônio Carlos Magalhães, Gilberto Gil... Todos criados a partir de coco seco. Dentista durante o dia, Sávio conta que sempre gostou de criar. “Sou um autodidata”, explica ele, que descobriu seu talento aos 9 anos.

A tinta acrílica disfarça as imperfeições da matéria-prima e o pó de serra é usado como cola. “São todos materiais recicláveis. Peço as cascas de coco para os restaurantes e o pó de serra das serralherias”, diz. Sávio acaba de criar sua primeira peça em tamanho natural, uma versão de O Pensador, de Rodin. Todo feito de coco. “É uma reflexão de que o homem pode sincronizar seus pensamentos com a ‘racionalidade’ da natureza.”



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