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Quinta-feira, 4 junho de 2009   edições anteriores
TURISMO
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  Dubai

Os adoráveis exageros da mais consumista e luxuosa cidade do mundo árabe

Adriana Moreira, adriana.moreira@grupoestado.com.br

A comparação é inevitável. As luzes que piscam sem parar no deserto, em uma cidade repleta de hotéis e restaurantes de luxo, fazem de Dubai uma Las Vegas com alguns pecados a menos. Faltam cassinos e casamentos rápidos, mas a soberba da metrópole árabe ultrapassa com folga o orgulho da americana.

Dubai quer todos os holofotes voltados para si. E todos os títulos de “maior do mundo” possíveis. O Burj Dubai, com a inauguração prevista para 9 de setembro, vai arrancar do Taipei 101, de Taiwan, o título de edifício mais alto. E o suposto maior shopping do globo, o Dubai Mall, fica no mesmo complexo, logo ao lado.

Os ícones arquitetônicos para lá de modernos, presentes nas ilhas artificiais e nos arranha-céus, fazem parte do marketing para atrair turistas endinheirados, que querem se hospedar em hotéis luxuosos e comer nos melhores restaurantes. Ostentar e gastar são duas premissas básicas por lá.

Afinal, é preciso garantir uma fonte de renda que não o petróleo, que deve esgotar até 2015. A solução encontrada pela família Maktoum, que governa desde o século 19 o emirado - um dos sete que compõem os Emirados Árabes Unidos -, foi investir suas fichas no turismo.

E é exatamente por isso que Dubai não para de se transformar. Apenas um ano é suficiente para ver brotar avenidas largas, várias ilhas e bairros inteiros. Hotéis parecem surgir a cada dia: o número de leitos cresceu 17% entre os quatro primeiros meses de 2008 e o mesmo período deste ano. Reflexo da inauguração de empreendimentos como o Atlantis, no topo da ilha artificial em forma de palmeira, a Palm Jumeirah.

Tolerância

Repare quando chegar ao aeroporto: há uma frota de táxi, dirigida por motoristas do sexo feminino, para receber apenas mulheres. O chamado Ladies Taxi tem 50 veículos que circulam por toda a cidade. Não, você não será obrigada a ir em um desses: o serviço é opcional e, normalmente, usado por muçulmanas.

Assim é Dubai: tradicional aos costumes muçulmanos, mas tolerante com os ocidentais. As turistas não precisam cobrir os cabelos ou usar túnicas. Basta ter bom senso (ou seja, evitar minissaias e decotes pronunciados) e você poderá usar praticamente qualquer tipo de roupa.

As praias não são lá uma atração - ao menos para nós, brasileiros. Mas se for aproveitar o incansável sol de Dubai nas areias privativas dos hotéis, não haverá qualquer problema em vestir o biquíni que você trouxe na mala.

Com ou sem crise?

Com tantos investimentos, projetos e obras, não dá para deixar de perguntar que efeitos a crise econômica mundial terá em Dubai. Em artigo publicado em fevereiro, o jornal inglês The Guardian dizia que muitos estrangeiros que viviam na cidade - apenas 20% dos mais de 1 milhão de habitantes são cidadãos de Dubai - voltaram a seus países. Reflexo do cancelamento e do adiamento de um grande número de construções.

Em áreas recém-abertas, como a Dubai Marina, é possível notar um número considerável de prédios desocupados. Mas custa acreditar que a instabilidade econômica mundial seja suficiente para quebrar o ícone do consumismo árabe. Afinal, Dubai é, em toda a sua concepção, um investimento a longo prazo. E, ao contrário do petróleo, tornou-se altamente renovável.

Viagem feita a convite da Emirates (www.emirates.com/br)



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