| |
História, arte e algumas curiosidades
Tombada pelo Iphan em agosto, cidade espera atrair investimentos e turistas. Casa do militar que dá nome ao município vale uma conferida
Adriana Moreira
Do casario antigo aos bordados de filé. Do Complexo Franciscano ao gosto pela música. Em Marechal Deodoro, cidadezinha de 42 mil habitantes, história e tradições sobrevivem à passagem do tempo. Fundada no início do século 17 com o nome de Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul, a antiga capital de Alagoas (1823 a 1839) foi tombada em agosto pelo Iphan.
A secretária municipal de Cultura, Jô Rodrigues, considera o título uma vitória. 'Pode nos ajudar a conseguir parceiros para a manutenção das construções históricas.' Ela acredita, também, que o fluxo de turistas interessados no patrimônio deve aumentar.
Vale a pena reservar ao menos uma tarde para conhecer Marechal Deodoro. Seguindo pela Rua Doutor Tavares Bastos, o visitante passa por um conjunto de casas construídas no século 19. A principal delas é onde nasceu, em 1827, o militar que proclamou a República - e hoje empresta o nome à cidade. De original, só resta a fachada, restaurada na década de 1970. A casa foi transformada em museu em 1983.
Guias dão uma breve explicação sobre a história do município e da família de Deodoro da Fonseca. O marechal viveu na casa até os 16 anos, quando se mudou para o Rio.
O imóvel já havia sido tombado pelo Iphan em 1964, junto com o Complexo Franciscano, composto pela Igreja de Santa Maria Madalena e o Convento São Francisco, onde funciona o Museu de Arte Sacra. Mas diferentemente da casa de Marechal Deodoro, o complexo, construído entre 1660 e 1793, está malconservado.
A única maneira de observar as belas pinturas no teto da igreja, feitas pelo pernambucano José Elói, é por uma sacada no museu. A igreja está fechada para visitação há anos.
No museu, são cobrados R$ 2 de entrada e não é permitido tirar fotos. Ali, encontram-se imagens barrocas dos séculos 17, 18 e 19. A mais antiga é a estátua de Nossa Senhora do Ó, esculpida em madeira e pintada com ouro em pó.
Atração à parte
Mas não é apena s o patrimônio histórico que faz de Marechal Deodoro um lugar imperdível. As tradições - que passam de pai para filho (ou de mãe para filha) - fazem da cultura uma atração à parte. Pelas ruas da cidade, é muito comum encontrar bordadeiras utilizando a técnica do filé, que trança os fios formando estrelas nos tecidos.
Jandira Maia, de 66 anos, é uma delas. 'Aprendi com minha mãe', conta ela, que manda o artesanato produzido para Pontal da Barra, tradicional reduto de artesãos em Maceió. Ela faz uma toalha de 2,5 metros de comprimento em 15 dias e vende por R$ 40.
No Espaço Cultural Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul, grupos de artesãos reúnem-se para trabalhar. Caso de Floraci Maia dos Santos, de 73 anos, que usa a técnica do labirinto - consiste em puxar fios de tecidos, criando desenhos. 'Aprendi com meu marido. Ele faz isso há 32 anos.'
Marechal Deodoro também é conhecida por sua musicalidade. Há duas orquestras filarmônicas no município, e boa parte dos moradores sabe tocar ao menos um instrumento musical.
Entre os personagens mais tradicionais da cidade está José Romero Neto, de 78 anos, o Zezinho do Sax. 'Toco desde os 15 anos', conta - e já emenda uma música. Zezinho já foi maestro das duas filarmônicas e diz que não pensa em parar. 'Adoro tocar.'
|