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Quinta-feira, 2 julho de 2009   edições anteriores
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  Seu guia são os viajantes

Quem viaja, deixa as dicas para o próximo a embarcar; sites 2.0 são cada vez mais usados

Bruno Gallo e Rafael Cabral

Viajando com a ajuda da social e colaborativa web 2.0, você se sente acompanhado mesmo sozinho. Duvida? O técnico em informática Victor Mello não precisou de companhia para encarar um mochilão de um mês pela América do Sul - tampouco de um planejamento prévio. De férias, ele não pensou duas vezes antes de partir para Buenos Aires. E, a partir de lá, não pensou sequer uma vez em para onde seguiria. Decidiu tudo na estrada, por meio de mídias sociais que acessava via iPhone.

Victor montou o roteiro enquanto seguia viagem. Sozinho, sim - mas com todos os viajantes da web a seu lado. “Bastava o acesso Wi-Fi, o que quase todos os albergues têm. Por blogs, reviews de mochileiros e marcações de outras pessoas no Google Maps, eu decidia meu futuro”, diz Victor, que da capital argentina, foi à Patagônia e percorreu o Chile inteiro.

Para o jornalista Beline Cidral, que relatou suas experiências de um ano e meio de viagens em um blog (www.revistaup.com/blogdobeline), já se pode dizer que os mecanismos sociais da internet substituíram o guia de papel. “Nos guias tradicionais, o tratamento é sempre do profissional com o turista. A internet acabou com esse intermediário”, pondera.

Há um ano e meio, Beline caiu no mundo. Conheceu do Quênia à Tailândia, hospedando-se nas casas de (des)conhecidos da internet. Seu lar, em meio ao nomadismo, foi a web. “Sem um porto seguro, o blog era a maneira de me comunicar com o mundo. Além dele, eu postava vídeos no YouTube, fotos no Flickr e falava com os amigos pelo Skype. Depois, falando no Twitter dos lugares que eu conhecia, vi que muitos outros viajantes começaram a me seguir”, diz ele, que acha que na rede sempre haverá alguém que pode “apontar um caminho”.

Muitos brasileiros planejam as férias via web. Segundo o Ibope/NetRatings, em 2008, 72% compararam preços na internet antes de viajarem, e a busca por sites de turismo dobrou nos últimos dois anos. Os sites colaborativos ajudaram muito nesse crescimento.

Mas em uma viagem planejada em cima da vivência alheia, não se deixa de lado a experiência individual? Para Beline, a internet ajuda na hora dos perrengues, mas deixá-la de lado ainda é fundamental. “Quando estava tudo dando muito certo, eu arranjava um jeito de me perder.”

Opinião semelhante tem o gerente de projetos Ricardo Moraleida, 25 anos, que conheceu a Europa por meio do Couchsurfing.org. Uma rede de troca de contatos online, a organização facilita a comunicação entre viajantes, que cedem os sofás de suas casas como hospedagem. Para ele, a internet é apenas um meio. O fim é conhecer outros lugares e, principalmente, novas pessoas. “Na minha primeira experiência, em 2007, eu até tinha feito reserva online, em albergue. Mas fui conhecendo as pessoas e perdi o receio. A melhor coisa é ter ajuda dos moradores para conhecer o lugar”.



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