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'Livro de caras' no Facebook
O artista brasileiro usa a rede social como fonte de inspiração e galeria para expor seus retratos
Lucas Pretti
Orkut é o nome do turco que criou a rede social mais popular no Brasil, Orkut Büyükkökten. MySpace, em inglês, é algo como “Meu espaço” (ou “Meu canto”) - o local em que as pessoas podem ser o que quiserem. Facebook significa, na cabeça do criador Mark Zuckerberg, “um livro com todos os rostos do mundo” - e o Facebook é realmente tido como um site de penetração global.
Pois o ilustrador e artista plástico brasileiro Zed Nesti levou ao pé da letra a imagem que Zuckerberg quer para o site. Ele criou um caderno com desenhos inspirados em fotos de usuários no Facebook - amigos dele ou não. Cada página desenhada é fotografada e incluída numa galeria também dentro da rede social. O nome da obra só poderia ser The Book of Faces of Facebook (em português: ‘O Livro de Rostos do Facebook’).
A ideia é simples e muito saborosa. A não ser que seja uma cara muito conhecida, não é possível saber de primeira quem são os retratados. Zed então coloca na página consecutiva um número com 9 ou 10 algarismos que também dá título à obra: é o número de registro, a ID que leva ao perfil de quem está ali desenhado. A partir do desenho da foto, então, é possível chegar à pessoa real, por intermédio do artista.
“Essa é a coisa mais louca desse projeto, as pessoas se conhecerem a partir da minha galeria de fotos”, disse Zed ao Link durante entrevista em seu apartamento em São Paulo. É lá que produz as imagens e guarda o caderninho original - que já suscitou interesse de uma editora para publicá-lo e que já está no final, com poucas páginas faltando para ser completamente tomado pelo Facebook.
Zed tem 39 anos e apenas hoje começa a esboçar uma linguagem e identidade próprias, após uma carreira que começou aos 7 anos com uma reprodução de traços infantis da Mona Lisa (que fica pendurada na parede do quarto dele). Nem de longe é apenas retratista, mas seus trabalhos de maior repercussão têm sido reproduções de rostos.
A última coleção, Celebs, participou da exposição 8 Emerging Artists na Galeria Sho (www.g-sho.com), em Tóquio, Japão. Zed (que assina ZED, com todas as letras maiúsculas) reproduziu rostos bem aproximados de famosos como Angelina Jolie, Heath Ledger, Madonna, entre outros.
Ele projeta fotografias, separa os degradês e tons de cor e então preenche a imagem com tinta óleo. Visto de perto, o resultado é um rosto muito conhecido dotado de certa fragilidade, instabilidade, desequilíbrio.
Toda a obra de Zed está organizada em seu site, o www.zedonline.com.br, onde ele também bloga. Se bem que o melhor lugar para encontrá-lo é o Facebook. Ele realmente participa do site, com 1,9 mil amigos, responde a comentários e compartilha vídeos, imagens e outras influências. Imagine a quantidade de pessoas pedindo para Zed retratá-las no Book of Faces.
“Sempre respondo com um ‘vai chegar a sua vez’”, diz. O artista demora uma hora no máximo para fazer um retrato daqueles e apenas alguns segundos para sentir as primeiras repercussões no Facebook. “Outro dia postei um desenho e demorou dois minutos para o primeiro comentário. Não aguentava mais esperar.”
Em que outra era da história artistas foram tão acessíveis? E em que outra era as pessoas quiseram exibir tanto a cara?
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