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Quinta-feira, 2 julho de 2009   edições anteriores
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  'Não serei preso.Venceremos no final'

Entrevista com Peter Sunde, criador do site PirateBay

Rodrigo Martins, PORTO ALEGRE

Só deu ele. Na semana passada, no 10º Fórum Internacional de Software Livre (Fisl), em Porto Alegre, todas as atenções se voltaram para Peter Sunde, um dos criadores do PirateBay. Além de dar palestras, Peter foi abordado pelos participantes do fórum para trocar meia dúzia de palavras e tirar fotos. Pelos cantos, escutava-se dos participantes: “Condenado na Suécia, aclamado no Brasil.” Mas o veredito não o incomodava e Peter estava tranquilo. “Não vamos ser presos. Vamos recorrer. E vamos vencer no final”, disse ele em entrevista exclusiva ao Link.

Qual o significado da derrota do PirateBay? Fortalece a indústria?

Mostrou que não se pode acreditar nas leis suecas. A indústria ainda tem muito poder e que precisa desse poder para sobreviver. Fiquei muito surpreso com o veredito. Foi contra a tecnologia, mais do que qualquer outra coisa. E isso é muito ruim. No fim das contas, o resultado não importa, não muda nada. Se é legal ou não, não importa. O que o júri não entende é que todos estávamos lá por uma coisa natural, hoje é natural compartilhar.

Por que a indústria ainda detém este poder se as pessoas não se interessam mais por ela?

Há duas coisas: a maioria dos países é influenciada por Hollywood, com filmes, música e programas de TV. Eles têm esse poder sobre nossas culturas e querem barrar a cultura livre. E precisamos mudar isso. Além disso, as organizações que defendem a propriedade intelectual têm munição: são ricas, poderosas e influenciam governos. Achamos que eles também são ilegais por isso.

Como você vê surgir leis como na França, que queria desconectar quem baixasse, mas foi considerada inconstitucional?

Muitas pessoas no Congresso adoram a causa da indústria. O que é mal. Temos de fazer os políticos não escutarem eles e acabar com o lobby no Congresso. Na Suécia, há uma lei de vigilância, em que toda a comunicação na internet será monitorada e gravada não se sabe por quanto tempo. Isso é preocupante. Temos de garantir que os responsáveis por essas leis sejam demitidos e que elas acabem. A lei da França é muito ruim. É uma forma de apoiar uma indústria que está morrendo. Isso é ruim.

Você acha que a indústria irá viver mais alguns anos pela lei?

As leis vão dar uma sobrevida. Mas no fim, irão perder. Mas precisamos fazer com que isso seja logo para ter uma cultura mais livre.

Você imagina um mundo sem gravadoras e estúdios?

Não. Acho que eles existirão. Precisamos de gravadoras, mas não como elas são hoje.

Mas você acha que as majors e os grandes estúdios morrerão e surgirá outro tipo de indústria?

Se estas empresas não mudarem, elas vão encolher até desaparecer. O negócio é crescer ou sair. Elas têm muito dinheiro, então podem sobreviver por um futuro longo e têm muito poder entre políticos. Mas acho que as pessoas estão começando a ficar muito chateadas com essas empresas.

Principalmente porque voltaram a processar pessoas, não?

É como estão ganhando dinheiro hoje, processando as pessoas. As gravadoras não querem tentar um novo modelo de negócios.

Você foi condenado. Tem medo de ser preso? No vídeo que postou logo após o julgamento, disse que não iria pagar nada da multa de US$ 3 milhões.

Não serei preso. Será uma novidade mundial se acontecer. Na Suécia essas coisas não acontecem. Vamos vencer no final. Vamos recorrer. Fomos condenados, mas o juiz não disse porquê. Foi o principal erro no julgamento.

O compartilhamento mudou a forma como as pessoas consomem e produzem cultura?

Democratizou, fez de todo mundo publicador, produtor e consumidor, de grandes títulos e pequenos. Os valores mudaram. Veja o Twitter, a Wikipedia, exemplos de como as pessoas cooperam em algo grande. Mudou a sociedade, que, por si só, é egoísta.


Por que você compartilha?

Um dos motivos é para compartilhar músicas que eu gosto, mas também acho coisas na internet que nunca tinha ouvido falar. Também baixo filmes de outros países que nunca poderia ter acesso.

Tudo na web deveria ser livre?

Tudo deveria ter livre acesso, não sei se de graça. Acho que pagar por conteúdo pode ser até OK. Por exemplo, pagar por uma assinatura para acessar todas as músicas do mundo por US$ 10 mensais. Mas o conteúdo em si, sozinho, não tem mais valor, o que não o impede de ser lucrativo.

O jornalista viajou a convite da da organização do Fisl



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