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Passaporte, malas, passagem e Google
Viajantes explicam como empregam a internet para planejar viagens e como usam seus gadgets
Nos próximos dias, o carioca Gustavo Vivacqua partirá para a viagem de sua vida. A bordo de uma picape customizada, acompanhado pela mulher Ana e pelo cachorro Tapa, ele sairá do Rio de Janeiro rumo a Foz do Iguaçu.
De lá, pretende alcançar Américas, Europa, África, Oriente Médio e Ásia. O roteiro foi definido usando o Google Maps (que ele emprega para traçar rotas e planejar onde dormir) e o Google Earth (para ver fotos no Panoramio e analisar relevo do trajeto).
O veículo é todo equipado. Além de cama e banheiro portátil, tem aparelhos de GPS, monitor touchscreen para visualizar mapas, notebook, equipamentos de fotografia e de vídeo e um iPhone. “Eu não vou pagar roaming internacional, mas se estiver em um lugar com Wi-Fi posso para pesquisar as atrações de um lugar próximo”, diz.
Gustavo é criador do site www.viagensmaneiras.com, que desde 1998 sugere roteiros alternativos pelo Brasil. Ele já percorreu o País e a América Latina e coleciona dicas. Depois de seus relatos de viagem, comentaristas tratam de rechear as páginas do site com experiências de roteiros pelos mesmos lugares.
Nos preparativos para a volta ao mundo, o carioca buscou informações sobre o trajeto em fóruns e blogs. “Eu prefiro usar relatos de pessoas que já viajaram do que revistas de turismo especializadas. As pessoas dão um ponto de vista mais emotivo, não escondem nada, falam os podres e o que tem de bom nos lugares”, explica.
PESQUISA
Para candidatos a aventureiros, o primeiro passo é procurar saber tudo sobre o destino. Sites oficiais, como aqueles criados pelos escritórios de promoção turística dos locais (procure por Convention & Visitors Bureau), e revistas e cadernos especializados em turismo são um bom ponto de partida para a pesquisa.
Quando coloca uma viagem na cabeça, o brasiliense Álvaro Alves, 26 anos, consulta essas fontes. Ele quase sempre está em busca de lugares para praticar escalada. Mas esse é só o início da pesquisa. “Nos veículos tradicionais normalmente não há informações alternativas, como dicas de hospedagem em campings”, diz.
Para quem entende inglês, o fórum Thorn Tree (www.lonelyplanet.com/thorntree), que tem a chancela do Lonely Planet, é um dos mais completos. Em português, vale pesquisar no Mochileiros.com (www.mochileiros.com; leia na página E2), que Alves acompanha desde 2006.
O brasiliense também usa o Google Maps para escolher sua próxima escalada. O serviço é útil para localizar, ao redor do mundo, lugares marcados por aventureiros - procure por climbing (ou escalada), trekking ou trilha para ver algumas fotos postadas por usuários.
Silnei Andrade, criador do Mochileiros.com, sugere o GPSies (www.gpsies.com), mashup do Google Maps com dados de trilhas e caminhos para baixar e colocar no aparelho de GPS.
Além de ajudarem no planejamento, os mapas do Google são úteis durante a viagem. O serviço já ajudou o piauiense Paulo Hiram a se livrar de uma enrascada na Bélgica. Ele havia reservado um hotel no centro de Bruxelas pelo site da rede Accor. Acabou caindo em um hotel no centro - da cidade vizinha. “Só descobri isso quando entrei no Google Maps”, conta.
Para o mochileiro, ter acesso a mapas - no celular, notebook ou em lan houses - ajuda o viajante a se livrar de ciladas. “Em Lima há dezenas de ruas com o mesmo nome. Para se achar é preciso ver o mapa”, diz ele, que voltou do Peru há uma semana.
O paulista Fábio Hernandes está se preparando para um mochilão pela América do Sul em setembro, para isso, se baseia nos relatos de outras pessoas. “Essas informações partem de quem já foi e até de quem está viajando, como avisos do tipo ‘não venham para a cidade tal, estou aqui e as estradas estão interditadas’”, diz.
É nesse tipo de informação instantânea que o Twitter poderia ser útil, mas o serviço ainda não caiu no gosto dos viajantes. “Eu uso, mas ainda não tenho uma ideia certa de onde ele vai chegar no caso do turismo. É impensável que alguém em férias fique twittando dicas a todo momento”, diz Rodrigo Purisch, criador do blog Aquela Passagem (www.aquelapassagem.com.br).
Ele mesmo deu um uso interessante para o Twitter (@aquelapassagem): avisa na hora sobre novidades e divulga promoções de última hora das companhias. Além de Purisch, dá para seguir gente bem informada como a @journeywoman, que posta sobre viagens para mulheres, e o @traveldudes, que twitta dicas. No Brasil, vale acompanhar o expert @riqfreire.
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