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Obama é marco da política na internet
Mais da metade dos eleitores dos EUA usou a rede para se informar na eleição de 2008
Filipe Serrano
A campanha de Barack Obama se tornou o símbolo de como a política será daqui para frente, em um mundo no qual a internet é indissociável do cotidiano da sociedade e do cidadão.
O sucesso da campanha, que utilizou a rede para arrecadar doações de indivíduos, não se deu apenas porque Obama utilizou Twitter, Facebook, YouTube e mensagens de celular para se comunicar e interagir com os eleitores, mas porque estes usaram a internet para buscar e trocar informações que pudessem ajudar a avaliar o desempenho de cada um dos candidatos.
Três em cada quatro internautas americanos usaram a web para ler notícias e se informar sobre a campanha política de 2008, de acordo com um estudo de abril do instituto Pew Internet & American Life Project.
O número representa mais da metade da população adulta norte-americana. Durante eleição anterior, de 2004, apenas 37% dos adultos buscavam essas informações na web.
Mais interessante ainda é que 38% das pessoas conectadas usaram a rede para conversar sobre política e 59% delas usaram ferramentas como e-mail, programas de mensagens instantâneas, SMS e o Twitter para enviar ou receber informações relativas ao tema.
Não está claro o quanto a participação na internet influenciou o resultado das eleições, mas, de acordo com a pesquisa, os eleitores de Obama eram mais ativos na web do que as pessoas que votaram em McCain. Mais de um quarto dos internautas americanos, que afirmaram ter publicado conteúdo político na web, era eleitor de Obama. Já entre os eleitores de McCain, 15%.
Além de Obama
A participação política na web não para por aí. Na sábado, dia 23, a notícia de que o presidente da Alemanha Hörst Köhler havia sido reeleito vazou no Twitter 15 minutos antes do anúncio oficial, depois de dois parlamentares, Julia Klöckner e Ulrich Kelber, comentarem o resultado em seus perfis do Twitter.
O caso já foi batizado de “twittergate” porque quebrou a tradição de que apenas o presidente do parlamento alemão tem o direito de anunciar o resultado da eleição para presidente, que é escolhido pelos parlamentares.
As ferramentas na internet servem para que os políticos interajam com a população, mas, por outro lado, as informações deixadas na rede podem um dia se voltar contra ele, como no caso dos parlamentares da Alemanha.
Um simples comentário no Twitter, um vídeo no YouTube, etc. podem atingir a imagem do governante.
Nas últimas eleições municipais no Brasil, o TSE vetou que a campanha se estendesse pela web além das páginas oficiais dos candidatos.
Ainda não está claro como as regras irão funcionar em 2010, na eleição presidencial, mas políticos como o governador de São Paulo José Serra (PSDB) e o senador Aloizio Mercadante (PT) já criaram perfis no Twitter.
Apesar da proibição, desde as eleições de 2006, os brasileiros já usavam blogs para opinar sobre os candidatos e postavam vídeos, a favor e contra.
Meio democrático?
A web tem um potencial enorme como meio de participação política, mas a falta de acesso à tecnologia no País impede que a maior parte da população tenha contato com informações na rede.
“Há um analfabetismo digital crônico no Brasil que prejudica o potencial da internet. Até quem tem acesso sente dificuldade para lidar com tecnologia. Não acho que aqui a internet tenha aumentado a participação política”, afirma Claudio Weber Abramo, diretor executivo da organização Transparência Brasil.
SEM INTERNET, O BRASIL TRAVA
Secretaria da Fazenda/SP
“A rede facilita o acesso a serviços e informações.” Newton Oller de Mello, coordenador de Planejamento Estratégico da Fazenda de SP
Justiça/SP
“Migramos todos os trabalhos de consulta e o usuário tem acesso a essas informações sem a necessidade de sair de casa.”
Rosely Castilho, secretária de TI do TJSP
BMF&Bovespa
“Disponibilizamos aos investidores uma série de produtos e serviços que têm a internet como único canal de comunicação.”
Carlos Faria, diretor de Tecnologia da Informação
Azul Linhas Aéreas
“Quando começamos fomos logo atrás da internet. Hoje, uma empresa não existe sem ela” Kleber Linhares, gerente de Tecnologia da Informação
Mercado Livre
“Nosso negócio só existe por causa da internet. Ela permite que todos, não importa o tamanho, tenham espaço.”
Helisson Lemos, diretor de Marketing
Correios
“O telegrama via web é um sucesso. Em 2008, foram postados eletronicamente 15 milhões de telegramas. Hoje, 59% é enviado pela web.”
Carlos Henrique Custódio, presidente
Unesp
“Nós vivemos, atualmente, uma situação de dependência absoluta da internet. A ausência da rede nos compromete.”
José Celso Freire Junior, professor e assessor-chefe de relações externas da Unesp
CET
“Via internet, oferecemos um conjunto de informações que indica ao usuário quais são os melhores trajetos e horários para deslocamentos.”
Adele Claudia Nabhan, assessora de imprensa
E-BANKING
29,8 milhões
de clientes usaram o internet banking no Brasil em 2007, segundo a Febraban
6,9 bilhões de reais
foram movimentados pelo sistema, o que representa 16,9% das transações bancárias no País lugares de acesso
LAN HOUSE
100 mil lan houses
em funcionamento no Brasil são responsáveis por 48% do acesso à internet, segundo o Comitê Gestor da Internet dos acessos à internet no Brasil
1,50 reais
é o preço médio de uma hora de acesso à internet em lan house
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