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Marley e Eu brasileiro
Um filhote que revoluciona a rotina de um casal. Parece familiar? Yuri é o nome dele
Fábio Brito
O filme Marley e Eu conseguiu demonstrar a relação de amor incondicional de um cão bagunceiro e seu dono, emocionando milhares de pessoas pelo mundo. E não é que encontramos, bem pertinho, um cão maluco na vida de um casal. Os donos, Fernando Porto, jornalista, e sua esposa, Lina, contam como é essa relação, desde a chegada do Yuri (golden) ao seu novo lar até o que esperam para o futuro. “Pais” amorosos, garantem que aprenderam com o filhote o significado desse amor que não faz distinção.
Como foi tomar a decisão pela compra do filhote?
Quando crianças, eu e meu irmão vivíamos infernizando minha mãe para criarmos bichos, mas a casa tinha um quintal minúsculo. Mesmo assim, a gente acabava levando cães, coelhos, preás, hamsters, papagaios, periquitos e araras. Claro que não ficavam muito tempo - criança não quer nem saber de limpar, sobra para a pobre mãe. Quando consegui uma casa grande , já casado, comecei a dar indiretas para minha esposa, Lina, que sempre teve pavor de cães, desde criança. Foi então que um grande amigo meu, sabendo que eu gostava de golden, me mandou um e-mail no meu aniversário com a foto de uma ninhada e escreveu: “Escolha um. É meu presente”. Mostrei os bichinhos e ela amoleceu. “É teu sonho, pode pegar. Mas... você cuida!”
E a escolha da raça?
Para mim, o golden sempre foi sinônimo do cão amigo, de família, além do porte e beleza incomparável. E não poderia ser uma raça que desse medo à minha esposa. Apesar de o labrador ser também uma raça muito querida, achei que o golden seria mais tranquilo. Que ingenuidade a minha! As duas raças são muito parecidas, brincalhões e estabanados.
Como foi o primeiro dia?
Acho que foi o dia mais tenso de nossas vidas. Tínhamos o medo da inexperiência, do que vinha pela frente. Não tínhamos experiência nem com filhos - e isso pesa mais. Meu amigo foi com a esposa para dar uma força. Chegando lá, pedi para a Lina escolher entre três filhotes, deixando a intuição feminina decidir. Ela escolheu o que estava mais quieto. Mais tarde, vimos que estávamos enganados: era tão elétrico quanto os irmãos. Na hora de ir, quando a Lina falou em colocar na coleira, a simpática criadora arregalou os olhos. “Coleira? Estão loucos, isso é um filhote de dois meses! Ele é para ser criado como um bebê, dentro de casa!”. Para deixar a mulher mais desesperada, meu amigo sugeriu colocar o bichinho no porta-malas, claro que tudo de pirraça. No caminho para casa, ele deu sua primeira vomitada... E foi no colo do casal amigo!
O que mudou na rotina do casal?
No começo, fiquei numa tremenda ansiedade e achei que não aguentaria um mês com o bicho. Deixamos o Yuri no salão de festas. Resolvemos resistir à ideia da criadora de deixá-lo no quarto, mas doía meu coração na hora de forrar o cercadinho e apagar a luz. Por incrível que pareça, ele chorava só um pouco e depois sossegava. Claro que picotava todos os jornais, mas tive de me acostumar com a rotina de limpar a sujeirada três vezes ao dia - e não era pouca. Uma coisa fantástica foi a minha esposa, que não só perdeu o medo das mordidas do filhote, mas resolveu até dar os primeiros banhos e a escovar o bicho. Ficava doida da vida quando a veterinária a chamava de “mãe do Yuri”, mas hoje fala: “vem cá, meu bebê”. Eu ainda cuido da maior parte dos passeios e das limpezas, mas tem ainda a Dona Sônia, colaboradora em nosso lar, que, graças a Deus, trata o bicho como um filho mimado.
Quais foram as maiores dúvidas?
Incentivam a castração, outros são contra... Resolvemos não castrar. Você fica que nem louco lendo um monte de coisas. Uns falam para deixar comida toda hora e outros mandam colocar só duas vezes ao dia. Falam para acostumar o animal a fazer as necessidades nas ruas, outros para que continue fazendo no jornal. Mas o pior é acostumá-lo na parte interna da casa. Como ensinar um bicho de 40 kg a entrar delicado na sala, não correr e nem pegar suas roupas no quarto? Outro desafio é convencê-lo de que não tem petróleo no gramado. O Yuri é uma escavadeira.
Mudou a sua percepção em relação aos animais?
Achávamos exagero as pessoas que levam o cão em viagens, por exemplo. Mas quando tiramos 15 dias de férias e ele ficou com o adestrador, os dois bobos começaram a sentir saudades da bagunça que ele faz, dos pulos de alegria quando a gente chega, das roupas que ele pega para nos desafiar...Quando ele está fora de casa, fica um silêncio, um vazio. Fico esperando o barulho dele no alpendre, porque o bicho me acompanha a cada passo desde que acordo.
O que o filme ‘Marley e Eu’ transmitiu a vocês?
O final é triste demais, derruba qualquer dono de cão. Tinha lido o livro e ri sozinho em muitas partes. Nós ficamos estressados e irritados com a indisciplina dos cães. Sonhamos com o cão bonzinho que deita a seu lado e que fica obediente enquanto você lê o jornal. Sabemos que temos de ser rígidos na educação para atingir esse sonho, mas achamos graça da molecagem do labrador e do golden... Porém, essa contradição também não existe na criação dos filhos? Ficamos orgulhosos de seus defeitos e virtudes, não é?
Vocês pensam na partida do Yuri?
Já conversamos sobre isso. Tem donos que perderam seus cães com cinco, seis anos. Rezamos para que ele bata o recorde dos 16 anos previstos como tempo máximo para a raça, com saúde e sem doença. A Lina não quer nem pensar nisso, seria como a morte de alguém da família. Ela diz: “Eu nunca pensei que ia gostar tanto do Yuri. Amo demais esse bicho.” Sinto da mesmo forma. É melhor nem pensar nesse futuro inevitável.
Teriam outro cão?
Hum....Outro cão, que chega a 40 kg com um ano de idade, que fura suas roupas novas, enfia seus óculos inteiros na boca e que arrasta a gente nos passeios quando vê uma bolinha de tênis? Boa pergunta. Talvez sim, mais tarde, mas quando a profecia dos criadores se cumprir e o Yuri for se acalmando, após os dois anos de idade. Quem sabe pegamos um menor. Às vezes, achamos que ele precisa de companhia canina para brincar mais.
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