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Domingo, 17 maio de 2009   edições anteriores
CADERNO DE TV
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  Mantenha a sua personalidade

Felipe Machado

No novo disco do Depeche Mode, o sensacional Sounds of the Universe, há uma canção chamada Fragile Tension, que vai mais ou menos assim: “Uma frágil tensão nos mantém juntos / Pode até não durar para sempre, mas é demais enquanto a vivemos.”

A letra continua mais ou menos nessa linha, como se o cara estivesse conversando com a mulher sobre o relacionamento dos dois. E daí eu comecei a pensar: será que uma frágil tensão é necessária entre um casal? Será que um pouquinho de conflito é positivo, será que é necessário para manter acesa a chama da paixão?

Apagando a minha última frase, extremamente brega, acho que o Depeche Mode pode estar certo. É inevitável rolar uma briguinha do casal de vez em quando, não é? Nada muito forte, nada sério. Apenas algo como uma... frágil tensão.

Conheço casais que brigam o tempo inteiro e continuam juntos. Talvez sejam masoquistas; talvez tenham medo de se tornarem reféns da também inevitável apatia que toma conta das nossas vidas quando passamos muito tempo ao lado da mesma pessoa. Ou talvez sejam apenas um casal de chatos mesmo.

Por outro lado, acho bastante estranho quando ouço casais dizendo que nunca brigam. Sério, será que é possível viver com uma pessoa sem nenhuma desavença, os dois concordando com tudo o tempo inteiro? Uau, que inveja.

Quer dizer, inveja em termos. Nem tanto ao sol nem tanto à lua... In Medio Stat Virtus (a virtude está no centro), já dizia Aristóteles.

Pensando bem, o relacionamento nada mais é do que um ajuste entre duas pessoas diferentes, entre dois pontos de vista diferentes, entre duas vidas diferentes. Graças ao amor, que funciona como uma espécie de cola espiritual, superamos essas diferenças e vivemos em paz, aceitando o outro como ele é, com seus defeitos e idiossincrasias (adoro usar essa palavra - vem do grego e significa ‘temperamento peculiar’).

Voltando ao que interessa... sim, aceitamos o outro como ele é, mas isso não significa que temos de concordar com tudo o que ele pensa. É importante manter algumas posições e opiniões justamente para não anular quem você é, para ser coerente com você mesmo. Lembre-se de que o outro também se apaixonou por você exatamente porque você era assim, do seu jeito.

Há uma frase que brinca com essa história de mudança da personalidade: a mulher se casa achando que vai mudar o homem; o homem se casa achando que a mulher não vai mudar. Como se vê, entre as duas ideias há uma... frágil tensão.

Eu queria ser esse cara

Charlie Kaufman, cineasta
Lembra dos roteiros de ‘Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças’, ‘Adaptação’, e ‘Quero Ser John Malkovich’? São dele. Agora, além de escrever, esse gênio virou diretor: ‘Sinédoque, Nova York’ é um dos filmes mais inteligentes que eu já vi.

Borracharia da semana

Audrey Hepburn, atriz

Uma das atrizes mais lindas e charmosas da história do cinema faria 80 anos no dia 4 de maio. Essa homenagem é para quem achava que a ‘Borracharia’ era uma seção vulgar. Não é. Eu adoraria ter uma bonequinha de luxo como a Audrey do meu lado.



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