| |
Homenagem
MINHA SEGUNDA MÃE
Histórias de empregadas domésticas que viraram mamães postiças dos filhos de seus patrões. Adoradas pelas crianças, são consideradas da família
Eduardo Diório
As avós sempre dizem que no coração de uma mãe sempre cabe mais um, independentemente dos laços sanguíneos. Talvez, o que elas nem desconfiam, é que no coração de um filho também cabe mais uma. No Dia das Mães, a homenagem da reportagem da Revista JT vai para as empregadas domésticas que, muitas vezes, atuam como mamães postiças, cujo trabalho vai além da obrigação, tornando-se verdadeiro apego familiar.
Na maioria dos casos, elas literalmente caem do céu. Indicadas por algum parente ou amigo do casal, começam a exercer as tarefas com um sorriso tímido, de quem está avaliando o terreno e, claro, também está sendo avaliada. O tempo passa, a confiança torna-se recíproca e, quando menos esperam, a empregada não é mais empregada. Ela já faz parte da família.
Foi assim que aconteceu na casa da família Maradei. “A minha tia conhecia os parentes da Cida e a indicou para mim. Estava com uma filha pequena e precisava muito de ajuda”, lembra Mariza Ferrari Maradei, de 68 anos, que é mãe de três mulheres e um rapaz. Chamada de Cida por todos da casa, Maria Aparecida Mendes, de 53 anos, saiu de Tabatinga, Interior de São Paulo, em 1969, para trabalhar na residência de Mariza.
“Todos me tratam maravilhosamente bem e, por conta da minha dedicação, até me deram uma casa. Como não tenho filhos de sangue, as meninas me consideram uma irmã e o menino é praticamente o meu filho. Como os pais trabalhavam muito, ajudei muito na criação do garoto”, conta Cida, que, além disso, revelou para a reportagem que sempre ganha presentes no Dia das Mães.
A empresária Anelisa Maradei, de 39 anos, é uma das ‘f’ilhas’ dessa turma de irmãos e, por isso, fala com propriedade do estilo de vida de Cida. “Ela é uma pessoa com uma sabedoria que não sabemos de onde vem. Talvez, se não fosse ela, minha família não seria tão organizada”, aposta. Para Anelisa, um dos momentos marcantes entre as duas, foi quando Cida contava histórias para ela dormir. “Era um momento mágico, inesquecível.”
O cuidado explícito da empregada com as crianças é a prova de que Mariza escolheu a pessoa certa. Segundo a psicóloga Erika Scandalo, para preservar o equilíbrio e a harmonia no lar, é importante que a mãe busque uma pessoa que tenha valores parecidos com os de sua família. “A profissional tem de gostar de lidar com crianças e adolescentes, deve ser paciente e comprometida com o trabalho, além de ter consciência da responsabilidade em cuidar de uma família”, explica.
Possivelmente por falta de tempo dos patrões ou até mesmo por afinidade com as crianças, a empregada doméstica Margareth da Silva, de 49 anos, já passou por maus bocados com seus ex-patrões. “As crianças queriam ficar mais comigo do que com os pais. Fiquei sem saber o que fazer, pois os pais pegaram birra de mim”, relata Margareth.
Neste caso, Erika concorda que freqüentemente é visível o bom relacionamento da babá com a criança, o que significa que ela esta proporcionando momentos de alegria à criança. Entretanto, é importante que os pais observem que é um sinal de que estão passando poucos momentos agradáveis com os filhos. “Eles devem programar sua agenda e, ao invés de reduzir os contatos da criança com a empregada, preservar este relacionamento e investir em atividades prazerosas deles com seus filhos”, avisa a psicóloga.
Margareth conta que os ex-patrões, enciumados, preferiram demiti-la. Mas, como diz o velho ditado que ‘há males que vem para o bem’, em menos de um mês, começou a trabalhar na casa da família Freitas, onde está até hoje, há mais de 20 anos. “Eles são a minha família e não consigo mais viver sem eles. No Dia das Mães, saímos todos para almoçar. A comemoração é em dose dupla e fico orgulhosa de poder participar.”
Para o caçula Henrique Machado Freitas, de 17 anos, Margareth é sua melhor amiga. “Não tem ninguém que me conhece mais do que ela e dá as melhores dicas de como agir com minhas namoradas”, garante. No entanto, com tantos mimos de Margareth, não há quem resista aos seus encantos. “Faço de tudo pelo Henrique, ele é o meu menino”, finaliza Margareth.
|