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As chaves de ignição vão se aposentar
Nos próximos dez anos, maioria dos carros ganhará sistemas de partida mais modernos e seguros
MÁRIO CURCIO, mario.curcio@grupoestado.com.br
Os carros estão voltando a usar um botão no painel para acionar o motor de arranque, algo comum entre os idos de 1930 a 1950. Atualmente, o sistema é acompanhado de cartões ou chaveiros. No veículo, uma central eletrônica reconhece o objeto e permite a partida quando o motorista pressiona uma tecla, a mesma que ele apertará para desligar o carro.
“É possível que a chave comum seja abolida. Não há um estudo, mas pode-se afirmar que em dez anos a maioria dos carros passe a usar esses sistemas”, acredita o gerente de Desenvolvimento de Produtos da Bosch, Fábio Ferreira.
O Renault Mégane foi o primeiro nacional a trazer essa tendência, em 2006. Ele utiliza um cartão com botões para destravar e travar as portas, como controles remotos convencionais. Encaixado no painel, esse cartão codificado será reconhecido e permitirá a partida. “O carro continua ligado se o cartão for retirado, mas só volta a funcionar se recolocado ali”, afirma o gerente de Marketing da Renault, Rodolfo Stoppa. É possível entrar no Renault e dar a partida mesmo se a bateria do cartão pifar: ele vem com uma chave para essa emergência encaixada em seu interior.
Interação por ondas de rádio
A comunicação entre o carro e o objeto ocorre por ondas de rádio. Os métodos mais sofisticados percebem a proximidade do cartão ou chaveiro, permitindo o destravamento da porta e a partida mesmo com o objeto dentro do bolso do motorista. É assim, por exemplo, com o sul-coreano Kia Mohave e o mexicano Nissan Sentra SL automático. Ambos utilizam chaveiros como unidade de comando, também com a chave de emergência embutida.
“Carros com esses sistemas utilizam pequenas antenas espalhadas pela carroceria”, afirma o gerente de Novos Negócios da Magneti Marelli, Ricardo Takahira. “Esses equipamentos ainda se restringem a carros mais sofisticados. Em veículos assim, que já têm mais itens eletrônicos, é possível reduzir custos ao eliminar os tambores de fechadura das portas, porta-malas e do miolo da ignição.”
Especialistas apontam a segurança (pela impossibilidade de acesso ao carro e partida) e a comodidade como os maiores ganhos. “O fato de não ter de procurar a chave nem a fechadura para ligar o carro já é uma vantagem. Essa tecnologia também aumenta a durabilidade do motor de arranque, pois é o próprio carro, e não o motorista, que vai identificar o momento ideal da partida”, explica Ferreira.
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