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Usados recuperam força
Diferença para o novo diminuiu e revendas voltam a comprar sem troca
Michel Escanhola e Nícolas Borges
Dois meses depois de o governo reduzir o IPI para novos, os preços dos usados começam a dar sinais de estabilização. Outras novidades: há casos em que a diferença entre o valor do seminovo e do zero-km diminui e algumas autorizadas voltaram a comprar (sem troca) carros de segunda mão, embora paguem até 40% abaixo das cotações publicadas às quartas-feiras no JC.
As constatações são resultado de um levantamento que o JC vem fazendo desde que a redução do imposto entrou em vigor. Em meados de dezembro, levamos dois usados (um Chevrolet Celta 2007 e um Ford Ka 2003) a autorizadas da cidade para saber quanto pagariam por eles na troca por modelos novos. Repetimos a dose no início de janeiro e, novamente, nesta semana.
Como as cotações dos usados estão estáveis (confira abaixo) e os descontos para os novos aumentaram, quem pretende trocar de carro tem mais chances de pagar menos pelo novo do que há dois meses.
“Ainda é cedo para dizer que a tormenta passou. Mas já estamos próximos disso, pois a situação deve se definir no curto prazo”, afirma o consultor de mercado Luc de Ferran.
Sem dizer que se tratava de uma reportagem, levamos os dois seminovos a nove concessionárias de várias marcas. Nosso Celta 1.0 Life é ano/modelo 06/07, tem duas portas e 22 mil km. Já o Ka é GL 1.0, ano/modelo 02/03 e rodou 67 mil km.
A diferença entre o Celta usado e o novo diminuiu de dois meses para cá. No primeiro levantamento, em dezembro, a melhor oferta foi obtida numa revenda VW, onde para trocá-lo por um Gol novo seria preciso desembolsar R$ 10 mil. Na segunda consulta, em janeiro, a proposta mais camarada foi em uma autorizada Chevrolet: a diferença para um Celta zero era de R$ 6.700.
Com os R$ 16.500 oferecidos esta semana pela mesma concessionária GM, para sair de carro novo bastam R$ 6 mil. Isso porque o Celta zero-km pode ser adquirido por R$ 22.500 à vista.
O avaliador de uma revenda Fiat resistiu em aceitar o Celta até na base da troca. “Os estoques estão cheios. Pagamos 40% abaixo da tabela (do JC). Nas trocas, abatemos 35%”, disse.
No caso do Ka, todas as concessionárias visitadas o aceitam na troca. Duas delas, Ford e Chevrolet, até ficam com o carro sem que o cliente leve outro. Mas pagam menos do que a média de R$ 10.400 apurada pelo jornal.
Uma revenda VW só compra (sem troca) modelos 1.0 feitos em 2006 ou 2007. Essa loja foi a que ofereceu menos pelo Ford: R$ 9.500. A mais generosa (R$ 12 mil) foi uma autorizada da Fiat.
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