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Malibu, prêmio de infância
Empresário preserva como relíquia o Chevrolet 1968 que ganhou em disputa com irmãos
Viviane Biondo, viviane.biondo@grupoestado.com.br
Caçula entre três irmãos, José Ricardo Braulio começou a concorrer, ainda bebê, a um prêmio nada modesto: um Chevrolet Malibu 1968. “Meu pai dizia que comprou o modelo no ano do nascimento do último filho, para que o carro ficasse com o que melhor cuidasse dele”, afirma o empresário, que levou a melhor.
“Sempre fiz por merecer. Ia à oficina com meu pai, lavava o carro no fim de semana e tinha o maior cuidado com ele.” Mesmo com todo o empenho, Braulio só conseguiu assumiu a direção do carro aos 20 anos. Com a morte do pai, em 1997, ele passou a ser o dono do Chevrolet.
Ele diz que a paixão pelo Malibu, que juntamente com o esportivo SS 396 compunha a linha Chevelle, lançada em 1964, só aumentou com o tempo.
Mais de dez anos depois, Braulio mostra orgulhoso a nota fiscal de compra do carro, importado dos EUA em setembro de 1968. “Meu pai disse que ficou na dúvida entre um Camaro e um Mustang, mas só o Malibu tinha envio imediato”, conta. “Ainda bem. Gosto muito do carro. Já li que o design foi inspirado na estrutura de um tubarão.”
No documento de compra, a lista de opcionais disponíveis foi quase toda assinalada. “O carro tem direção hidráulica, suspensão reforçada, rádio AM/FM e vidros com proteção solar da (marca de óculos) Ray-Ban .” O valor pago na época, de U$S 3.473 (cerca de R$ 8 mil em valores atuais), inclui frete e seguro. “Hoje o Malibu não tem preço para mim.”
O empresário tem com o Chevrolet os mesmos cuidados de quando o carro era novo. “Troco o óleo a cada 3 mil quilômetros e se ouço algum ruído estranho, já sei do que se trata.”
Mas o motor V8 307 do exemplar, que gera 190 cv de potência bruta, não costuma ser levado ao extremo. “Já cheguei a 150 km/h, mas não confio no sistema de freios a tambor, que não garante frenagens rápidas.”
Braulio também costuma evitar sair com o carro em horários de trânsito intenso. “O motor V8 esquenta demais, seria um desgaste desnecessário.”
Ele diz que os 80 mil km rodados representam muitas histórias de família. “Meu pai não ligava o rádio em viagens. Dizia que era para ouvir o ronco do V8.”
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