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Sábado, 28 junho de 2008   edições anteriores
JORNAL DO CARRO
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  Há 25 anos, Ford criou o sucessor do Jeep

>'Jampa' foi projetado pela fábrica brasileira da marca

MÁRIO CURCIO

Em junho de 1983, o JC flagrou pela primeira vez o protótipo de um novo utilitário Ford. O carro foi desenvolvido pela equipe brasileira de engenharia para substituir o Jeep, que deixou de ser produzido em março daquele ano.

Havia a intenção de exportar o novo modelo. Engenheiros e estilistas da montadora teriam vindo dos Estados Unidos e Alemanha para analisar a novidade de perto.

O modelo, no entanto, não chegou à linha de montagem. 'Não havia evidência de consumidores suficientes para justificar o investimento', afirma Valério Lopes, um dos envolvidos com o projeto na época e hoje engenheiro-chefe da Ford Caminhões.

Como era

Capota de lona, pára-brisa rebatível, pneus lameiros e estepe colocado na traseira mostravam a vocação fora-de-estrada do protótipo desde o início.

Ele usaria a plataforma da Pampa, picape pequena derivada do Corcel, para a qual a Ford desenvolvia uma versão com tração nas quatro rodas - a configuração 4x4 foi produzida de 1984 a 1994. Da mistura de Jeep e Pampa surgiu seu apelido: Jampa.

A mecânica também viria da caminhonete: motor Ford 1.6 CHT, com comando no bloco e válvulas acionadas por varetas. O combustível seria álcool ou gasolina.

O câmbio teria quatro marchas mais ré. A tração predominante seria dianteira e uma alavanca no assoalho serviria para acionar o sistema 4x4. O modelo só não teria opção de reduzida.

'Tivemos uma surpresa com o bom desempenho do protótipo. Ele vencia obstáculos melhor até mesmo que a picape Pampa por ser mais alto', recorda Lopes.

O peso baixo era outra vantagem do carro-conceito. 'Ele foi criado para ser o mais leve possível e por isso pesava menos de 900 quilos', afirma o engenheiro. Como comparação, o novo Ka pesa 905 quilos. 'A equipe andou bastante com o carro e sentiu um bom potencial nele.'

Segunda fase

Em abril de 1984 o JC fotografou uma evolução do Jampa. As portas comuns viraram rebaixos na carroceria. A grade dianteira passou a utilizar barras verticais. O capô ganhou travas externas, como as do velho Jeep. O pára-choque recebeu faróis auxiliares e um guincho manual.

A falta de mercado, porém, levou o projeto para a gaveta.



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