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Nativos digitais x imaturidade emocional
PSICÓLOGA, PROFESSORA DA FACULDADE DE PSICOLOGIA DA PUC-SP E COORD. DO NÚCLEO DE PESQUISAS DA PSICOLOGIA EM INFORMÁTICA (NPPI)
Rosa Maria Farah
Ao contrário dos seus pais e professores, a geração dos chamados nativos digitais – agora em plena adolescência – parece ser dotada de habilidades inatas para manejar as máquinas informatizadas. Exploram o universo virtual como se circulassem em um grande parque de diversões, reinventando a cada dia suas formas de comunicação e expressão.
Dentre essas, destaca-se no momento a versão digital dos antigos diários nos quais os jovens partilham seu cotidiano, suas experiências e descobertas. Por essa via, os registros pessoais – agora ilustrados com fotos e vídeos – se abrem para um público cuja dimensão é difícil de ser avaliada.
Se bem conduzidas, essas experiências podem se tornar ricos exercícios de comunicação e autoafirmação dos jovens internautas, na medida em que se constituem não apenas como atividades lúdicas e inventivas, mas também como possíveis fontes de prestígio e popularidade.
No entanto, essa notável habilidade no manejo das ferramentas de comunicação disponíveis na web nem sempre é acompanhada pela maturidade emocional necessária para que os autores possam avaliar o grau de auto exposição contido nessas publicações. Nem tampouco desenvolveram ainda o senso crítico suficiente para identificar os riscos aos quais se expõem ao diluir de forma ingênua os limites entre o público e o privado de suas vidas. Mesmo que tais riscos se restrinjam, na maior parte das vezes, ao arrependimento por ter publicado “aquela foto” ou aquela determinada “declaração” no imenso mar de dados da web.
Cabe então destacar a importância do acompanhamento participativo das atividades dos jovens internautas por parte dos adultos que os rodeiam, ainda que, para tanto, pais e educadores tenham que vencer seus próprios limites no trato com as novas tecnologias. Mas exercer essa função não significa apenas cercear o acesso dos jovens ao universo virtual. Isso porque, ante a ampliação crescente das vias de acesso à internet, a mera restrição do tempo de conexão – embora seja uma providência muitas vezes necessária – nem sempre é suficiente. É preciso que os adultos assumam também o papel de orientadores do uso que seus filhos (ou alunos) possam fazer da grande rede.
Mas muitos adultos, em boa parte por se sentirem inábeis no trato com as máquinas, se perguntam “como exercer essa função”?
A resposta mais simples e eficiente é: acompanhando e participando das atividades dos jovens com interesse genuíno, e aprendendo com eles a navegar na virtualidade. Nessa parceria amorosa e atenta, naturalmente acabarão por colocar sua experiência de vida a serviço do entusiasmo juvenil.
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