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Micros buscam mais crédito
Procura por operações de financiamento atinge o maior patamar desde janeiro de 2007
Marcos Burghi, marcos.burghi@grupoestado.com.br
As micro e pequenas empresas têm buscado mais crédito, reflexo do aquecimento da economia. A conclusão é de levantamento mensal com dados de março divulgado ontem pela Serasa Experian, empresa de análise de risco de crédito.
O resultado mostrou que o nível de procura por financiamento das companhias do segmento, com faturamento até R$ 2,4 milhões anuais atingiu 112,2 pontos, maior patamar desde o início da série histórica em janeiro de 2007. De acordo com o índice da Serasa Experian, quanto maior o número em relação a 100, mais intenso o ritmo da busca.
Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da empresa, afirma que o crescimento de mais de 26% na comparação entre março deste ano e o mesmo mês de 2009 se deve à pequena procura registrada naquele mês, quando o índice marcou 88,8. “Foi um momento de retração das ofertas de crédito e os pequenos sentem mais”, afirma Rabi.
No acumulado do primeiro trimestre do ano, a procura das micro e pequenas empresas por financiamentos evoluiu 14,1%, ritmo semelhante à busca das grandes companhias, que cresceu 14,4% no mesmo período. “Acredito que este desempenho não deva se repetir, já que em abril de 2008 a situação econômica interna começou a melhorar”, avalia. Rabi estima que a média geral de procura por crédito entre as empresas termine 2010 com crescimento entre 5% e 10% em relação a 2009.
Pedro Gonçalves, consultor do Serviço Nacional de Apoio à Pequena e Média Empresa de São Paulo (Sebrae-SP), afirma que a variação apurada na comparação entre março deste ano e igual mês de 2009 foi expressiva. “Além da escassez de crédito no início de 2009, alguns empresários deixaram de buscar financiamentos por cautela quanto ao que viria pela frente”, avalia.
Gonçalves lembra que, no decorrer do ano, as condições econômicas foram se revigorando, o que deu novo fôlego ao crédito e aumentou as perspectivas de cenário positivo, inclusive para os pequenos. “O principal foco das companhias de pequeno porte é o mercado interno, que mostrou melhoras ao longo de 2009 e deve continuar assim este ano.”
O consultor observa que de acordo com dados do Sebrae-SP, o faturamento médio das micro e pequenas empresas, já descontada a inflação, cresceu 12,9% na comparação entre fevereiro deste ano e o mesmo mês de 2009. “Evidencia recuperação do segmento”, diz.
Ele acredita que se a alta de juros não for expressiva ao longo do ano, o segmento não deve enfrentar grandes dificuldades. Previsões do mercado indicam que o a taxa básica de juros deve chegar a 11,5% ao ano até o fim de 2010.
Setores
De acordo com o levantamento, a maior expansão da demanda por crédito, na comparação de março de 2010 com março de 2009, no universo geral de empresas, foi verificada no comércio, com 24,8%, seguido do setor de serviços, que registrou 23,9%, e da indústria, com 20,4%.
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