| |
Jovem diz ser 'Jesus' e mata cartunista em casa
Glauco Villas Boas , de 53 anos, e o filho, de 25, foram mortos a tiros na casa em que moravam, em Osasco, na madrugada de ontem. Acusado é um estudante de 24 anos, amigo dos filhos do cartunista e frequentador de um templo que funcionava na chácara da família. Suspeito, que até ontem estava sendo procurado pela polícia, teria problemas psicológicos. Ele invadiu a residência dizendo que era ‘Jesus Cristo’
MARCELO GODOY, marcelo.godoy@grupoestado.com.br
Glauco Villas Boas, de 53 anos, cartunista da Folha de S. Paulo, e seu filho Raoni, 25, foram mortos ontem, à 0h30, pelo estudante universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, que, segundo as testemunhas e a polícia, invadiu a chácara da vítima com pistola em punho. Segundo a investigação, Nunes queria sequestrar o cartunista e a família e levá-los até sua casa para que eles convencessem sua mãe de que o estudante era Jesus Cristo. Ele acabou disparando dez vezes, acertando quatro tiros em cada vítima.
Cadu, como é conhecido o acusado do crime, é amigo há anos dos filhos do cartunista. Frequentava a Igreja Céu de Maria, criada há 15 anos por Glauco (leia mais na página 6A), mas há oito meses não aparecia no templo que o artista mantinha em sua chácara, em Osasco, Grande São Paulo. Segundo testemunhas e parentes da vítima, anteontem à noite o acusado, possivelmente em companhia de mais um ou dois amigos, chegou à casa do cartunista em um Gol cinza. Parou o carro atrás do veículo de Juliana, enteada de Glauco.
Pouco antes da meia-noite, o estudante abordou Juliana com uma pistola calibre 7,65 mm - trazia uma faca na cintura. Obrigou a vítima a chamar a mãe (Bia), que abriu o portão da casa. Além delas, dominou ainda Alva (enteada de Glauco), Gecila (mulher de Raoni), um neto e o próprio cartunista. Seus olhos estavam esbugalhados, sua boca espumava e ele demonstrava ansiedade. Glauco tentou acalmá-lo. Foi agredido. O cartunista propôs ao estudante que as mulheres ficassem e ele o levasse. Nunes apontou a arma para a própria cabeça e disse que ia se matar. “Não faça isso!”, teria dito Glauco.
“Vá comigo até a casa da minha mãe e diga que sou Jesus Cristo”, teria ordenado o estudante ao cartunista, segundo o primo da vítima Orlando Cardoso de Olivera. Para proteger a família, Glauco concordou em acompanhar o jovem. Quando saíam da chácara , Raoni chegou da faculdade.
O portão estava aberto. Raoni entrou e viu o amigo armado com o pai e se assustou. Eles discutiram e o acusado atirou. A perícia mostra que o cartunista foi atingido à queima-roupa no rosto. Os demais tiros acertaram o tórax e o abdome. Em seguida, o estudante teria disparado contra Raoni, três vezes no abdome e uma no tórax. Bia e Juliana assistiram a tudo. O estudante saiu, entrou no Gol e sumiu.
As vítimas foram levadas ao Hospital Albert Sabin, na Lapa, zona oeste de São Paulo, onde morreram. “Foi uma tragédia. O rapaz estava em meio a uma tempestade psicológica”, afirmou o delegado Fernão de Oliveira Santos, titular da Seccional de Osasco. Os policiais estiveram ontem de manhã na casa do estudante, mas não o encontraram. Também não acharam a arma do crime. Cinco testemunhas reconheceram o acusado, que segue foragido. Segundo a polícia, Nunes tem um histórico de abuso de drogas.
|