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Sábado, 13 março de 2010   edições anteriores
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  Vale tudo para esconder o jogo

Antônio Carlos fecha todos os treinos táticos e não divulga nem seu banco

ALEX SABINO, alex.sabino@grupoestado.com.br

Esconder a escalação não é novidade no futebol faz tempo, ainda mais em clássicos. Mas o treinador sempre deixa uma pista do que pretende fazer, seja no treino ou na entrevista.

Antônio Carlos fez o jogo da contrainformação pensando na partida de amanhã contra o Santos na Vila Belmiro. Escondeu até se pretende relacionar Lincoln para o banco de reservas. “Vocês terão de esperar a assessoria de imprensa divulgar a lista”, disse, esquecendo-se de que ele, técnico, é o responsável pela escolha dos suplentes.

Criou até contusões para justificar o mistério na escalação. “Ewerthon está com dor no tendão, Lenny também tem dores e Cleiton Xavier apresentou problema no tornozelo.” Mas se eles estão lesionados, esqueceram de avisar ao especialista. “Lenny e Cleiton não reclamaram de dor nenhuma. O que eu sei é que o Ewerthon comentou sobre o tendão para o (José) Rosan (fisioterapeuta)”, informou o médico Vinícius Martins.

Antônio Carlos não fez nenhum treino tático diante dos jornalistas, seja em Itu ou na Academia de Futebol. Só atividades técnicas: chutes a gol, passes e cruzamentos. As preparações para o clássico foram feitas em treinamentos fechados para a imprensa. O último está marcado para hoje de manhã. “Vai ser um rachão”, desconversou o treinador, com um meio sorriso no rosto, como quem sabe que não é nada disso.

Ewerthon estreia como titular? “Vamos ver.”

Lenny ou Robert no ataque? “Vamos ver.”

O 4-4-2 será preservado? “Vamos ver.”

Foi quase um agente do serviço secreto palmeirense. “Vocês têm de perguntar, eu tenho de esconder.”

Sem surpresas

É muito pouco provável que o Palmeiras abra mão do esquema utilizado desde que Antônio Carlos assumiu. Ele abertamente já declarou ser contrário a improvisações e três volantes. A formação ideal é sempre uma linha de quatro na zaga, dois cabeças de área, dois meias e dois no ataque. Seria uma gigantesca surpresa se isso mudasse justamente contra o Santos.

Mas o comandante prefere deixar - ou pelo menos tentar deixar - um pingo de dúvida na cabeça de Dorival Júnior. “Vamos jogar da mesma maneira como estávamos jogando até agora. Adotamos o mesmo esquema desde o primeiro jogo e vamos mantê-lo contra o Santos”, afirmou, deixando claro que o mistério é apenas no que se refere às peças, não à formação.

A não ser que seja mais uma tentativa de despistar.



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