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Grife Daspre faz desfile hoje
Presas fazem os papéis de estilista e modelo. Projeto é da Fundação de Amparo ao Preso
PAULO SALDAÑA, Especial para o JT
Sem nervosismo, a paulista Karina Gomes Carvalho, de 23 anos, se diz “solta e leve” para os primeiros passos na passarela. Ser modelo é sonho de criança - ela chegou a fazer um book, mas, sem dinheiro para pagar, não pôde retirar as fotos. Karina estreia hoje no primeiro desfile de moda da grife Daspre.
“Quando fui presa, pensei que nunca mais teria essa chance. Mas aqui percebi que até levo jeito”, brinca Karina, detida há 3 anos por tráfico de drogas, mas já no regime semiaberto. “Quem sabe não tem alguém que me vê e se interessa por mim, pelo meu trabalho.”
No desfile, marcado para as 13 horas no Pátio do Colégio, centro de São Paulo, além de Karina, outras onze internas da Penitenciária Feminina do Butantã vão trocar uniformes verde e branco por peças criadas por colegas. Até o governador José Serra (PSDB) deve comparecer ao evento, que integra a Exposição Cidadania da Mulher.
A Daspre não tem (ainda) o objetivo de descobrir talentos para o mundo fashion. “Mas como vou mostrar o que a gente faz sem um desfile?”, pergunta Lucia Casali, diretora da Fundação de Amparo ao Preso (Funap) - responsável pelo projeto.
Ao todo, 70 presas fazem parte do projeto. “Cada peça que eu faço vai um pedaço de mim”, diz Jaqueline da Silva, de 29 anos, que costurava uma bolsa para o desfile, no começo da semana. Ela está presa por assalto há 7 anos - envolveu-se no crime por causa do namorado, motivo comum entre as detentas.
As presas recebem pelo serviço R$ 315 por mês, mais vale-transporte e refeição. Parte do valor é creditado em uma poupança, que elas retiram após cumprir as penas. O dinheiro das vendas é revertido no projeto, que custa para a Funap cerca de R$ 30 mil por mês. O desfile não custou nada a mais.
Para organizar tudo, a fundação procurou faculdades de moda - e nenhuma topou. A produtora Wilma Ferracina Ferrari, com experiência em cerimoniais, cuidou da preparação. “Temos de trabalhar mais com a autoestima delas.”
Com sorriso fácil, Patrícia Martins, de 28 anos, está segura. “Vamos provar que, mesmo presas, ainda somos bonitas.”
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