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Domingo, 7 março de 2010   edições anteriores
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  Abandono espanta ciclistas de pista

Primeira ciclovia de SP, inaugurada em 2008, está sem manutenção e quase não tem movimento

Luiz Guilherme Gerbelli, luiz.gerbelli@grupoestado.com.br

A Ciclovia Caminho Verde, que fica entre a Linha 3-Vermelha do Metrô e a Radial Leste, sofre com o abandono. Inaugurada em setembro de 2008, por meio de uma parceria entre o Metrô e a Prefeitura, a faixa está invadida pelo mato, tem lixo e pneus abandonados nos canteiros, remendos na pista e poças d’água. Diante de tantos problemas, são poucos os ciclistas que se arriscam a utilizar a via.

A ciclovia terá 12,2 quilômetros de extensão quando estiver concluída. Atualmente, 10 km estão em funcionamento. O restante vem sendo construído e não há prazo para o término das obras.

A Ciclovia Caminho Verde fará o percurso entre as estações Corinthians-Itaquera e Tatuapé do Metrô. Anunciada em 2007, a data inicial para a entrega total da ciclovia era o fim de janeiro de 2008.

Com o prazo estourado e poucas condições de uso, nem Prefeitura e Metrô assumem a responsabilidade pela manutenção. De acordo com a companhia estadual, a preservação cabe ao governo municipal. Por sua vez, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informa que a manutenção deveria ser feita pelo Metrô.

Tanta tranquilidade acaba agradando ao motorista Rubens Francisco, de 30 anos. Ele diz utilizar a ciclovia duas vezes por semana para fazer o percurso de Arthur Alvim até a Penha. “É sempre tranquilo aqui, porque poucas pessoas utilizam a ciclovia.” Durante a uma hora que a reportagem do JT permaneceu no local, Francisco foi o único ciclista passar ali.

Para o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP) Alexandre Delijaicov, a logística da ciclovia contribui para o pouco aproveitamento dela. “Você não vai andar de bicicleta se tem uma linha de metrô fazendo o mesmo percurso”, diz.

Delijaicov afirma que há 12 anos usa bicicleta. Todo dia, ele vai da sua casa, na Rua Bela Cintra, centro, até a USP, no Butantã, zona oeste. O percurso de 8 km é feito em 35 minutos. “Quando ando de bicicleta, sinto o cheiro e o calor do asfalto. São gentilezas urbanas que a bicicleta promove.”

De forma geral, os especialistas concordam que a bicicleta pode ser um meio de transporte eficaz se for utilizada para ajudar na locomoção da população da periferia até estações de transporte público. “O número de pessoas que usa bicicletas é muito grande na periferia. Faz todo o sentido incentivar esse tipo de ação”, entende o urbanista Cândido Malta Filho. Ele propõe que as ruas sejam divididas igualmente entre ciclistas, pedestres e motoristas.

Obras paradas

A Prefeitura planeja inaugurar 100 km de ciclofaixas e ciclovias até 2012. Em setembro do ano passado, o executivo municipal disponibilizou R$ 21,75 milhões para a construção de três circuitos: Jardim Helena (zona leste), Jardim Brasil (zona norte) e Grajaú/Cocaia (zona sul). Ao todo, eles iriam somar 54,5 km nas vias exclusivas destinadas a bicicletas. Os três circuitos seriam entregues até o meio do ano, mas as obras nem sequer começaram.



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