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Ecos do passado em São Paulo
Exposição no Museu Lasar Segall traz fotos da capital nos anos 1940; mostra o antigo e o novo
Mariana Lenharo
Especial para o JT
Quem chega à Rua Berta, na Vila Mariana, para ir ao Museu Lasar Segall, pode pensar que, de repente, deixou para trás todo o caos de São Paulo. Cheia de casinhas de portão baixo, com heras subindo nos muros e passarinhos cantando, ela mesma faz parte da eclética paisagem urbana da cidade, retratada por Hildegard Rosenthal (1913-1990) na exposição Profissão Fotógrafo.
A mostra põe, lado a lado, a São Paulo de Hildegard e a Buenos Aires do argentino Horacio Coppola, hoje com 103 anos.
Para homenagear a São Paulo retratada por Hildegard, que veio para o Brasil em 1937, o Jornal da Tarde buscou captar, sob a mesma perspectiva, as curvas e nuances da cidade hoje, 70 anos depois. A modernidade divide espaço com edifícios construídos como se fossem esculturas.
“O centro de São Paulo não mudou tanto assim”, diz Thomas Maack, de 75 anos, outro visitante da exposição. “Fiquei 15 anos fora do Brasil. Quando voltei, em 1980, a cidade tinha dobrado de tamanho, mas na essência ela permanece a mesma.”
Observando um pouco melhor, o visitante pode descobrir que a pequena multidão engravatada que caminhava pela Rua Direita não é tão diferente da que anda no centro hoje em dia - são apressados. E que o Edifício Martinelli ou o Mercado Municipal continuam iguais, apesar de um pouco mais escondidos pelos prédios que vieram depois.
Das fotografias da mostra, é difícil distinguir, à primeira vista, São Paulo de Buenos Aires. “A cidade era muito mais bonita nessa época”, opina Julio Zanatta, visitante da exposição. A influência europeia marca as duas cidades. “Morei em Londres durante algum tempo e isso se parece bastante com o que eu via lá.”
Serviço Exposição Profissão Fotógrafo Museu Lasar Segall: Rua Berta, 111, Vila Mariana. Terça-feira a sábado, das 14 horas às 19 horas. Domingos, das 14 horas às 18 horas. Até 4 abril de 2010. Gratuito
SECRETARIA DA JUSTIÇA Nada mudou neste edifício localizado no Pátio do Colégio, exceto sua função. Desde 1997 ele abriga a Secretaria Estadual da Justiça e Defesa da Cidadania, mas sua função original era sediar a Secretaria de Agricultura. Construído entre 1881 e 1891, o prédio de estilo neoclássico foi projetado pelo arquiteto Francisco Ramos de Azevedo (o mesmo do Mercado Municipal). Quem caminha pelo local hoje em dia não deixa de notar a grande concentração de policiais, em número proporcional aos moradores de rua
RUA 15 DE NOVEMBRO Vista de cima, a Rua 15 de Novembro está um pouco diferente do que há 70 anos. Apenas parte da arquitetura se conservou e poucos prédios mantêm suas características. Muitos desapareceram para dar lugar a construções mais modernas. A principal diferença é que os carros são proibidos de circular pela via, que foi transformada num dos calçadões mais charmosos da cidade, onde, durante o dia, é intensa a circulação de pedestres. Durante anos, o vaivém de pedestres é formado por engravatados da Bolsa de Valores de São Paulo, com sede na Rua 15, ou funcionários dos inúmeros bancos e lojas instalados ali
ESTÁDIO DO PACAEMBU A foto de 27 de abril de 1940 mostra a inauguração do Estádio do Pacaembu, que contou com a presença do presidente Getúlio Vargas. O estádio receberia seu primeiro jogo no dia seguinte. Ao fundo, aparece a concha acústica, que foi demolida na década de 1970 sob a administração do prefeito Paulo Maluf para dar lugar ao tobogã. O estádio que recebia até 25 mil pessoas aumentou sua capacidade para 40 mil pessoas
GRADIL DO VIADUTO SANTA IFIGÊNIA Em 1940, era possível ver os telhados dos prédios comerciais a partir do Viaduto Santa Ifigênia. O cenário mudou em 1960 com a construção do Mirante do Vale, cuja base aparece na foto atual. Os 170 metros de altura do edifício, com 51 andares, não ofuscam os detalhes do viaduto, inaugurado em 1913 e construído com material trazido da Bélgica. As peças vinham de navio até o Porto de Santos e chegavam à capital pelos trilhos
AVENIDA SÃO JOÃO, PRÓXIMO AO LARGO DO PAIÇANDU O prédio então em construção na Rua Conselheiro Crispiniano, perto do Largo do Paiçandu, parecia promissor. Quando estava sendo erguido, era um dos poucos com mais de dez andares na cidade. Hoje, o Edifício Hélio seria ofuscado por outros grandes prédios, não fosse o tom azulado que pinta o primeiro andar, destoando dos demais andares, alguns deles pichados e com aparência de abandono. Estão instalados ali sindicatos e lojas
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