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‘Posso perder os votos de conservadores e hipócritas’
Plínio Teodoro, plinio.silva@grupoestado.com.br
Após ser chamada de ‘maconheira’, ao admitir que utilizava a droga em 2001, a subprefeita da Lapa, Soninha Francine (PPS) voltou a criar polêmica no “mainstream”, como ela mesmo define, ao posar nua para o calendário “Como Nus Sentimos”, do Instituto Ciclo BR. Aos 42 anos e com perfil pouco usual entre políticos, Soninha admite que o ensaio pode lhe tirar votos de “conservadores e hipócritas” em sua provável candidatura à sucessão estadual. Mas, com a rebeldia que a fez admitir que fumava maconha - ela diz ter abandonado a substância ao entrar para a vida pública, em 2004, ao ser eleita vereadora com 51 mil votos -, garante que não vai abandonar causas que defende por votos. “A hipocrisia não merece respeito”, disse em entrevista ao JT.
Porque resolveu posar nua? Apoio a causa dos ciclistas. Recebi o convite lembrei das voluntárias do GRAAC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), que com mais de 50 anos fizeram o mesmo e pensei como é absurda a forma como tratam a nudez não erotizada no Brasil. Resolvi aceitar. Pela causa.
Gostou do resultado? Não estava em um bom dia, de me sentir bonita. Posar, pra mim, é um problema. Minhas experiencias foram horríveis. Sou boa atriz, mas em movimento.
Acredita que isso pode atrapalhar suas aspirações políticas? Sim, ainda mais agora que tenho interesse no Executivo, em que é preciso apoio da maioria. Mas, se for abandonando minhas causas, acabo entrando para o “mainstream”, com pequenas diferenças.
O nu a fará perder votos? Tem os conservadores de verdade e estes eu respeito, mas a hipocrisia não merece respeito. A candidatura pode perder votos, em princípio, desses conservadores e dos hipócritas. Ou seja, vou perder de quem não tenho. Mas sei que talvez crie rejeição e dê munição para meus adversários.
E como vê seus prováveis adversários na sucessão ao governo paulista? PT e PSDB têm problemas maiores que o nosso. A cada eleição fica evidente que eles são grandes partidos, mas têm poucas peças e apresentam sempre os mesmos candidatos.
E, neste ‘vácuo’, a polêmica pode render votos? Não sou de fugir de polêmica, mas não polemizo apenas para aparecer. Assuntos delicados merecem propostas concretas, sem hipocrisia.
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