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Protesto acaba em confronto
PM usou gás de pimenta durante conflito com moradores da várzea do Tietê na Prefeitura
Rodrigo Burgarelli, rodrigo.burgarelli@grupoestado.com.br
Um protesto de pelo menos 200 moradores dos bairros alagados há exatos dois meses na região do Jardim Romano, zona leste, acabou em conflito. Quem se envolveu diretamente no confronto com a polícia, porém, foram políticos de oposição à gestão Gilberto Kassab (DEM). A principal reivindicação dos manifestantes era garantir que seriam indenizados, caso tivessem de deixar as casas por causa de obras na várzea do Tietê. Até agora, a opção oferecida pelo prefeito é o “aluguel social” ou “bolsa-aluguel”, uma ajuda de R$ 300 mensais, enquanto uma moradia definitiva não é construída.
O ato começou às 14 horas, na frente da Prefeitura, quando os manifestantes ligaram um sistema de som e começaram a reclamar da política habitacional de Kassab para a região. À frente do ato havia uma série de assessores parlamentares do PT e políticos, incluindo ex-secretários da gestão Marta Suplicy - Eduardo Zarattini (Transportes), Donato (Subprefeituras), José Américo (Comunicação) -, além dos vereadores Alfredinho, Juliana Cardoso e Zelão. Os deputados estaduais Adriano Diogo (PT) e Simão Pedro (PT), o federal Ivan Valente (PSOL) e o senador Eduardo Suplicy (PT) também estiveram presentes.
Mais manifestantes de movimentos como o Passe Livre e o de Moradia, de direitos sociais, de sem-teto e de grupos da Igreja Católica chegaram e, uma hora depois, a PM bloqueou metade da calçada com barreiras móveis. Para isso, os policiais empurraram as pessoas na direção da rua - que teve o tráfego fechado - e utilizaram spray de pimenta e cassetetes contra quem se recusou a sair. “Foi truculência sem motivo”, disse o vereador Zelão (candidato a uma cadeira na Assembleia, que, atingido na cabeça, foi levado para o ambulatório da Câmara).
Ao menos quatro pessoas tiveram de ir ao hospital e diversas outras tiveram irritações nos olhos e escoriações. Um dos assessores do prefeito também agrediu moradores que protestavam e houve troca de empurrões.
Responsável pela operação, o comandante do 45º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Orlando Taveiros Costa Júnior, alegou que os policiais só responderam a um pequeno grupo (o dos políticos) que teria se exaltado, jogado pedras e tentado invadir o passeio. “Passou de uma manifestação democrática para uma manifestação contra o estado democrático de direito. A PM precisou intervir e, de maneira moderada, utilizou o gás”, afirmou
“Não precisa de tudo isso, né?”, disse o aposentado Lamarquino da Silva, de 62 anos, morador do Jardim Helena. “Uso bengala porque já tive dois derrames. É a primeira vez que jogam gás pimenta em mim”, contou ele, com olhos vermelhos. Mesmo após o confronto, os manifestantes não conseguiram encontrar o prefeito.
No entanto, depois da confusão um grupo de 25 pessoas se reuniram com o secretário de Relações Governamentais, Antonio Carlos Malufe. “Queremos uma casa por outra casa. Não faz sentido deixar aquilo que a gente construiu com anos de trabalho por uma bolsa aluguel de R$ 300”, disse o motorista Abel Toledo, de São Miguel.
Os moradores também reivindicavam a limpeza do Tietê e a melhora no atendimento médico da população, já que várias pessoas das áreas afetadas pelas enchentes já apresentaram casos de leptospirose e outras doenças.
De todas as reivindicações, os moradores saíram apenas com a promessa de uma reunião com Kassab na sexta-feira.
A Prefeitura informou também, por meio de nota, que cerca de 2,5 mil famílias receberam o bolsa-aluguel, 323 foram transferidas para apartamentos da CDHU e que oito terrenos na zona leste já foram reservados para a construção de cerca de 3.200 unidades habitacionais. Além disso, segundo a Prefeitura, cerca de 23 mil imóveis da região já foram visitados por agentes municipais de saúde.
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