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Trote na USP: só se o calouro autorizar
Pais acompanham filhos temendo violência, mas faculdades fazem apenas brincadeiras
Mariana Mandelli, Brás Henrique e Tatiana Fávaro
Ao contrário do ano passado, quando trotes de algumas universidades paulistas viraram caso de polícia, os calouros de 2010 foram recebidos de modo pacífico e sob o olhar atento dos pais, que aprovaram as comemorações. As principais instituições do Estado receberam os novatos com ações interativas, trotes solidários e festas com lama, tinta e confete.
Nas unidades da Universidade de São Paulo (USP), onde as matrículas ocorreram ontem e terminam hoje, os estudantes participaram ativamente dos trotes. “Pais chegam preocupados, mas depois veem que está todo mundo bem”, afirma Rafaela Carvalho, de 20 anos, da ECAtlética, organizadora do trote da Escola de Comunicação e Artes (ECA). “Temos que fazer com que o ‘bixo’ se sinta bem onde ele vai estudar.”
Somente os calouros que autorizavam eram pintados. “Eu quis que me pintassem mesmo, me matei para passar e agora quero curtir”, afirmou a caloura de Jornalismo Anna Carolina Silva, de 18 anos, com o rosto coberto de tinta. Seu pai, o contabilista Dirceu Pereira, aprovou o trote. “Tudo sem exagero é válido.” Os pais apoiaram também os trotes da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), onde os veteranos organizaram uma sala com vídeos sobre a atlética e a empresa júnior para eles esperarem os filhos. Ao final da matrícula, o calouro encontrava duas placas: “sem trote” e “com trote”, dando a opção. A recepção dos calouros da Escola Politécnica chamou a atenção dos pais pela organização. A estrutura contou com futebol de sabão, tendas, música eletrônica, sete seguranças, duas ambulâncias, sete banheiros químicos e um espaço reservado às famílias. Só cortou o cabelo, pintou o corpo e se jogou na lama quem quis. Apesar da comercialização de bebidas alcoólicas ser proibida desde 1998 na USP, havia venda de cerveja na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e Instituto de Matemática e Estatística.
Para evitar situações de humilhação, universidades divulgaram números de telefones para denúncias. Na USP, o número é 0800-012-10-90; na Universidade Estadual Paulista (Unesp), (11) 3526-9004; e na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), (19) 3521-4738 e (19) 3521-4877.
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