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Ruas do Brás ficam livres dos camelôs
Com ocupação da região por PMs, pedestres já têm espaço nas calçadas e os lojistas comemoram
Luísa Alcalde, luisa.alcalde@grupoestado.com.br
Da mesma forma como ocorreu na região da Rua 25 de Março, desde que a Polícia Militar ocupou, há pouco mais de um mês, as ruas da região do Brás, na região central da cidade, o segundo maior centro popular de compras da capital nem de longe lembra a confusão vivida no local em dezembro, quando centenas de barracas de camelôs entupiam as calçadas e até partes das ruas.
“Há 20 anos não via a porta do meu estabelecimento livre”, comemora o comerciante Boris Peres, de 66 anos, dono do Mercadinho do Bebê, instalado na rua Maria Marcolina. “Agora os clientes têm onde parar o carro e conseguem ver melhor o que a loja vende”, afirma ele. “Só espero que dure”, observa o lojista, cauteloso.
As estudante Bianca Santos, de 22 anos e Raquel Gontijo, de 26 anos, faziam compras na região na sexta-feira passada. “Não dá nem para comparar. Está muito tranquilo e fácil de caminhar por aqui”, disse Bianca. “Posso escolher os produtos sem me preocupar com a bolsa e sem pressa”, também elogiou Raquel.
Antes do recadastramento feito pela Prefeitura no segundo semestre de 2009, pelas principais ruas do Brás, como Conselheiro Belisário, Largo da Concórdia, Miller, Saião Lobato e Barão de Ladário, por exemplo, espalhavam-se 621 barracas legalizadas, fora as ilegais, em número muito maior. Hoje, são apenas 57 as que têm o Termo de Permissão de Uso (TPU), a licença concedida pelo município para vender produtos na rua.
Segundo o coronel Marcos Chaves, chefe de operações da região central, só a Rua Oriente ainda não conta com PMs para coibir o comércio irregular de camelôs. Essa tarefa, antes sob responsabilidade da Guarda Civil Metropolitana, agora é função da PM graças a um convênio assinado no final de 2009 entre a Prefeitura e o Estado.
Agora, por dia, 200 policiais fazem o patrulhamento a pé no Brás. Quando a PM chegou na região, no início de janeiro, eram necessários 290 homens. “Por motivos estratégicos, preferimos ocupar as vias próximas primeiro. Mas dentro de uns 20 dias chegaremos lá também”, avisa ele, sobre a Rua Oriente. “Na Avenida Rangel Pestana, os pedestres tinham de aguardar os ônibus no meio da via porque os camelôs tinham invadido do ponto até o começo da rua”, diz o policial.
Neilson Paulo dos Santos, presidente da Associação dos Camelôs da região do Brás, diz que os ambulantes estão sofrendo perseguição. “Colocaram o Choque para tomar mercadoria de camelô. Não somos bandidos”, protesta. “Se alguém reclamar eles ainda prendem por desacato”, observa.
O boliviano William Balcas, de 33 anos, há cinco trabalha como ambulante no Brás. Ocupava um espaço fixo na calçada da rua Maria Marcolina. Desde que a PM chegou, teve de se adequar às novas regras. Adaptou um isopor em uma bicicleta para poder continuar vendendo água. “Só que agora tenho de ficar rodando porque se os policiais me pegam, não tem conversa”, afirma.
“Não temos nada contra camelôs”, afirma o coronel Chaves. “Mas somos obrigados a coibir o comércio irregular. Se a pessoa não tiver permissão da Prefeitura e não apresentar nota fiscal que comprove a origem dos produtos, está atuando de forma ilegal”, lembra ele.
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