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Obra bagunça sinalização da marginal
Placas em excesso ou falta delas, sinalização confusa de faixas e identificação inadequada de acessos atrapalham motoristas e aumentam os riscos de acidentes. A Dersa, responsável pela ampliação da via, não se pronunciou
Daniel Gonzales, Elvis Pereira
A obra de ampliação da Marginal do Tietê, iniciada em junho do ano passado, bagunçou a sinalização tanto de novos quanto de antigos trechos da via. Em alguns pontos há placas demais e em outros, de menos. É comum encontrar motoristas retornando de ré por terem entrado em acessos errados ou corrigindo manobras bruscamente. Caminhoneiros de outras cidades se perdem frequentemente e carros “fecham” uns aos outros. Procurada, a empresa Desenvolvimento Rodoviário (Dersa), responsável pela obra, não respondeu às perguntas do JT sobre o sistema de sinalização.
A situação é ainda pior à noite: parte da sinalização atual é provisória. As placas, de cor laranja e letras de cor preta, são difíceis de se enxergar à distância. “Elas não são refletivas. Se não prestar atenção, você passa direto. Quem não conhece a marginal acaba se perdendo”, afirma o motorista Marcos de Freiras, de 28 anos.
Em vários pontos, saídas construídas como parte da ampliação das pistas não dispõem de sinalização com o destino final daquela faixa. “A obra de ampliação está ficando boa. Mas a sinalização das novas faixas está confusa”, afirmou o caminhoneiro Durval Moura, de 32 anos. Há locais onde as faixas se dividem em grupos de duas ou três pistas.
“Se tivessem mais placas, ajudaria muito, principalmente quem anda pela marginal pela primeira vez. Além disso, tem placa que só avisa quando o motorista está em cima da entrada. Aí as pessoas acabam se perdendo”, aponta Thiago José de Pieri, 26 anos, motoboy. O problema citado por ele ocorre, por exemplo, no acesso da pista local para a Rodovia dos Bandeirantes, no sentido Castelo Branco. Há uma placa apenas na “boca” da entrada. Quem não conhece o local não consegue se preparar com antecedência para utilizar o acesso sem provocar transtorno aos demais motoristas.
Para “forasteiros” a sinalização atual é sinônimo de transtorno. “Está muito ruim circular pela marginal”, afirmou ontem o caminhoneiro Alex da Silva, de 32 anos. Ele chegou no mesmo dia de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, pela Rodovia Presidente Dutra e não costuma passar pela marginal. Para acertar o caminho e chegar à Castelo Branco, foi obrigado a pedir informação a um motoboy.
Em vários pontos, o problema é o excesso de sinalização. Antes da Ponte do Tatuapé, no sentido da Rodovia Ayrton Senna, quatro placas informam como acessar as Rodovias Presidente Dutra e Ayrton Senna, a Avenida Salim Farah Maluf e a Ponte do Tatuapé. Elas estão a poucos metros umas das outras, indicando a mesma direção.
Os motoristas reclamam que, a 90 km por hora, limite de velocidade na marginal, torna-se difícil ler a tempo para executar a manobra correta, sobretudo se houver necessidade de mudança de faixa.
Noutros trechos faltam placas. As que indicam a velocidade máxima para se trafegar na da via, aliás, sumiram: anda-se quilômetros sem ver uma sequer. Há vários radares sem sinalização indicativa da presença deles, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Há ainda placas cobertas por galhos ou sujas.
Mais um trecho
Hoje, a Dersa entregará mais cinco trechos da nova pista da Marginal do Tietê. Ao todo, são 6,6 km. Quatro das novas pistas estão no sentido da Ayrton Senna e o quinto no da Castelo Branco. A obra completa deve ser entregue até o dia 27 de março.
OS PROBLEMAS
Alguns dos problemas de sinalização observados pela reportagem na Marginal do Tietê : SENTIDO CASTELO BRANCO
>>Falta sinalização para os motoristas que vêm da Rodovia Ayrton Senna: há trechos em que a pista se divide em três, e não dá para saber qual dá acesso ao que, na área do Parque Novo Mundo. Até a Ponte do Tatuapé, há muitas placas escondidas em árvores
>>Várias placas estão viradas de “costas” para o tráfego ou tortas. O problema ocorre perto das pontes do Tatuapé e Cruzeiro do Sul
>>Perto da Ponte da Vila Guilherme, as pistas têm bifurcação e faltam placas indicativas de qual dá acesso a que, além de faixas no chão. Um acesso ainda em construção (foto acima) já tem placa, o que pode causar confusão. Perto da Ponte da Vila Maria, a falta de placas confunde motoristas, que não sabem qual pista pegar (foto abaixo)
Em frente do Terminal Rodoviário do Tietê: faltam indicações de acessos e de sentidos das pistas, que se dividem em três, em frente ao Anhembi e também ao Shopping Center Norte
>>Em frente ao sambódromo, os cones de sinalização estão caindo em buracos do canteiro de obras
>>Um pouco antes da Ponte do Limão, uma placa mostra que ela está interditada, mas a ponte está aberta normalmente ao tráfego >>Há placa torta e estreitamento de pista sem faixas pintadas no chão perto da Ponte Julio Mesquita. Mais à frente, próximo da Ponte Freguesia do Ó, as árvores escondem as placas, há outra placa torta e muita escuridão à noite
>>Ponte Atílio Fontana: placas indicando saída para o Jaraguá estão ocultas atrás da sinalização de radar. Falta sinalização clara de qual faixa dá acesso a que SENTIDO AYRTON SENNA
>>Entre as Pontes Atílio Fontana e dos Remédios, há faixas apagadas e árvores cobrindo placas >>Na Ponte Julio de Mesquita Neto, não há indicador de altura da ponte. E antes da Ponte do Limão, não há placa indicando a existência de um radar de velocidade
>>Após a Ponte da Vila Guilherme, as faixas estão parcialmente apagadas (acima). Não há placa indicando a existência de um radar; outras estão tortas
>>Em um trecho antes da Ponte General Milton T. de Souza, a placa que indica o monitoramento da velocidade da está instalada após o radar
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