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Segunda-feira, 8 fevereiro de 2010   edições anteriores
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  Diana Ross, Aretha Franklin e ela

Beyoncé mostrou, em show de virtuosismos no Morumbi, que vem mesmo de uma casta sagrada

MARCO BEZZI, marco.bezzi@grupoestado.com.br

A vasta oferta mercadológica na prateleira da música parece proporcionalmente inversa ao da qualidade do produto. Pegue o exemplo do termo diva. A cada semana surge uma nova. O critério que definia se uma cantora teria os predicados para carregar tal selo de qualidade ficaram enterrados na época de Diana Ross, Tina Turner, Aretha Franklin. Mas há exceções. Da mesma casta de Diana e Aretha vem Beyoncé Giselle Knowles, artista que atualizou a cartilha e foi além.

Com apenas 28 anos, a cantora de pouco mais de dez de carreira conseguiu o que só dinossauros do rock e pop foram capazes: encheu o Morumbi na noite de anteontem e colocou 60 mil pessoas para rebolar. O mise-en-scène tem início com a abertura de cortinas negras, que escondem uma silhueta cheias de curvas. O figurino dourado revela um produto à beira da perfeição. Corpo volumoso, voz talhada no soul, olhos que ao mesmo tempo passam malícia e candura. Como não se apaixonar por Beyoncé? A indústria americana pensou o mesmo.

A cantora ganhou seis prêmios Grammy na semana passada. O jornal The Guardian a considerou a artista da década e o Brasil deu-lhe disco de diamante por 250 mil cópias vendidas de I Am... Sasha Fierce (2008). Beyoncé se apropria com competência da escola de Madonna e Michael Jackson.

Com a abertura de Crazy in Love, às 22h20, deixou claro que a noite seria dela e de ninguém mais. Dançarinos musculosos, uma banda só de mulheres, um trio de estilosas vocalistas batizado de The Mamas e um telão de altíssima definição formavam os adereços das pouco mais de duas horas de concerto. Sem chuva, porque São Pedro é eclético e gosta tanto de Beyoncé quanto de Metallica, que uma semana antes teve a mesma sorte no Morumbi.

Mesmo quando traja figurinos como um maiô branco - na segunda parte do show com início em Smash Into You - e um vestido de noiva - quando entoa Ave-Maria -, Beyoncé ganha perdão pelo exagero. Os prêmios e elogios untados a seu talento inegável nos faz relevar seus pecados fashionistas.

Beyoncé se emociona com a reação impressionante da plateia. A todo momento agradece: “Este é provavelmente o maior show da história da minha vida.” O som perfeito ganhava força nos graves, que eram sentidos como socos no peito. Era impossível perceber se Beyoncé dublava ou não. Caso existisse um playback, tudo era muito bem ensaiado. O primeiro bloco trouxe músicas animadas, com referências ao funk e à disco, como em Naughty Girl.

A segunda parte foi dedicada às baladas. Era o instante dos casais que pagaram R$ 600 por cabeça na pista VIP usufruírem o momento fofura. Broken Hearted Girl antecede If I Were a Boy. Beyoncé, de figurino preto, emenda You Oughta Know, de Alanis Morissette, e faz a temperatura subir novamente. O telão acompanha sua performance com um show de imagens e vídeos que colaboram com a imagem da heroína indestrutível.

Um palco menor no meio do gramado do Morumbi levou Beyoncé a cantar Sweet Dreams, Check On It, Say My Name e ainda a relembrar em um medley hits do Destiny’s Child (Bootylicious, Bug A Boo e Jumpin’ Jumpin’). Em Say My Name, pegou um jovem que aparentemente era uma entre as milhares de “bibas” que se apertavam nas grades e perguntou seu nome: “Samir!”, respondeu, antes de começar a chorar.

Beyoncé voltou ao palco para tocar seus dois maiores sucessos. Precedida de vídeos caseiros da coreografia de Single Ladies (Put a Ring on It), cantou para um público em êxtase. Halo fechou o concerto e homenageou Michael Jackson. “Vamos cantar isso para o Rei, pois só vai existir um Michael Jackson”, pediu Beyoncé, dê joelhos. Depois de São Paulo, ela cantaria ontem e hoje no Rio e, na quarta-feira, em Salvador. Marketing, voz, visual e apelo popular. Beyoncé é o pacote completo.



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