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Segunda-feira, 8 fevereiro de 2010   edições anteriores
POLÍTICA
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  Estação, só em ano de votação?

Das inaugurações de paradas de metrô desde 1998, só uma não ocorreu quando houve disputa

FABIO LEITE, f.leite@grupoestado.com.br

“Daqui pra frente é assim: uma inauguração atrás da outra”. A frase do ator Dan Stulbach que encerra a mais recente propaganda na TV sobre a “temporada” de entrega de novas estações do Metrô retrata calendário político que tem sido adotado pelos governos do PSDB no Estado desde a gestão Mário Covas (1995-2001): inaugurar as obras em ano eleitoral.

Das 15 estações do Metrô concluídas nos últimos quatro mandatos, 14 foram inauguradas no ano em que o governador esteve em campanha - pela reeleição ou na disputa à Presidência (veja abaixo). A última delas - Estação Sacomã da Linha 2-Verde, na zona sul -, foi feita há 10 dias pelo governador José Serra, provável candidato tucano ao Planalto.

Até o fim de março, antes do prazo final para desligar-se do cargo, caso concorra a presidente, Serra pretende inaugurar outras duas estações na Linha 2 e duas da nova Linha 4-Amarela entre as avenidas Paulista e Faria Lima, ambas em fase final de acabamento. Ainda este ano, haverá mais quatro inaugurações.

Todo cronograma é destacado pela peça publicitária apresentada pelo ator e produzida pela agência do publicitário Duda Mendonça, que tem contrato semestral com o Metrô no valor de R$ 14 milhões. A publicidade das obras e qualidade do transporte subterrâneo é divida com a agência MPM Propaganda, que recebe R$ 11 milhões por seis meses.

Ao todo, Serra pretende entregar neste ano eleitoral nove estações, mais do que nas duas campanhas do ex-governador Geraldo Alckmin - foram seis em 2002, quando se reelegeu, e duas em 2006, quando perdeu a disputa ao Planalto para Lula -, e na de Mário Covas à reeleição em 1998 - cinco. A exceção no período é a estação Alto do Ipiranga (Linha 2), inaugurada por Serra em 2007.

‘Tradição’ por votos

Segundo o historiador Marco Antonio Villa, “é tradição desde o restabelecimento das eleições diretas (1989) deixar tudo (inaugurações) concentrado no período pré-eleitoral e a população já se acostumou com isso”. Para ele, isso faz parte de estratégia política do governante-candidato para tentar conquistar mais votos. “Certamente tem efeito positivo, porque se repete sempre nas esferas municipais, estaduais e federais”.

Para o cientista político Cláudio Couto, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as inaugurações obedecem à mesma lógica: “Ninguém quer deixar para o sucessor o bônus de inaugurar a obra”. Couto pondera, contudo, que grandes obras de infraestrutura, como as do Metrô, demandam tempo e, por isso, podem ficar para o fim do mandato. “Normalmente essas obras são mais complexas e se iniciam no começo do mandato porque o governante quer entregá-la antes de deixar o cargo e ficar com o crédito”.

Segundo o engenheiro e diretor do Departamento de Infraestrutura do Instituto de Engenharia, Roberto Kochen, uma obra de expansão de linha metroviária de oito quilômetros dura, em média, entre três anos e meio e quatro anos, desde a elaboração do projeto e da licitação à conclusão. “Obras do Metrô envolvem desapropriação e perturbação do tráfego em áreas urbanas. Isso requer planejamento e demanda tempo”, afirma. “Acontece que está cada vez mais frequente governos iniciarem projetos no meio do mandato e depois correrem para conclui-los. Isso provoca pressão enorme sobre obra, que vai depender ainda mais da capacidade de engenharia e recursos financeiros”.



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