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Segunda-feira, 8 fevereiro de 2010   edições anteriores
OPINIÃO
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  Médicos contra a hanseníase

Eudes de Freitas Aquino

De todos os resquícios negativos da divisão do mundo entre capitalismo ultraliberal e economia centralizada de Estado, um dos piores é o descaso contra quem não seja considerado consumidor nem formador de opinião. Felizmente, não é assim que vemos o mundo sob a ótica do cooperativismo.

Afinal, o verbo cooperar é parente de partilhar, compartilhar. Se formos cooperativistas, teremos de ver as pessoas como seres que devem ser respeitados em sua diversidade e ter, no mínimo, tratamento digno em necessidades fundamentais, como saúde, educação, alimentação, moradia e segurança.

Dos tempos bíblicos até recentemente, as pessoas com hanseníase (no passado, chamada de lepra) sofriam duplamente, por causa das consequências da doença, como mutilações, e da inclemente segregação social.

O preconceito e a discriminação ainda existem, embora haja avanços, como usar o termo hanseníase, em homenagem a Gerhard Hansen, descobridor do micro-organismo que a causa.

O fim dos leprosários também contribuiu para reduzir o tratamento cruel aos infectados pelo Bacilo de Hansen. Mas a melhor notícia é que a hanseníase tem cura e que seus casos vêm diminuindo em países desenvolvidos.

Por que tratamos, então, dela? Porque em países como Brasil, Madagáscar, Moçambique, Tanzânia e Nepal, a prevalência da doença é altíssima. Nesse grupo de países, causa estranheza a triste liderança no ranking exercida pelo Brasil, uma das maiores economias do mundo.

Para isso, contudo, precisamos nos unir como categoria médica. É essencial que cada profissional da medicina aprenda tudo sobre hanseníase: sintomas, tratamento, contaminação, tipos, etc.

Não cabe somente ao dermatologista, por exemplo, verificar se há manchas na pele com perda de sensibilidade ao frio, ao calor e à dor. Em todas as especialidades, podemos e devemos contribuir para que doentes sejam tratados imediatamente.

Em termos institucionais, para combatê-la é necessário intensificar a vigilância epidemiológica nas áreas mais endêmicas e manter ações efetivas naquelas em que a hanseníase se estabilizou.

A erradicação é um desafio ainda maior, diretamente vinculado à mudança do perfil socioeconômico em grande parte do País. Sabemos o quanto isso é difícil.

Depende de investimentos em saneamento básico e melhores condições de vida de grande parte de nossa população.

Tratar os doentes, contudo, já seria um grande passo, pois, às primeiras doses do medicamento, deixariam de transmitir a hanseníase.

É um apelo que faço aos colegas em todo o País em nome daqueles que poderiam ter uma qualidade de vida muito melhor.



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