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Segunda-feira, 8 fevereiro de 2010   edições anteriores
OPINIÃO
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  É preciso retomar o recapeamento das ruas

Como acontece todos os anos – e isto porque até agora não se partiu para a sua verdadeira solução, embora ela seja bem conhecida há muito tempo –, o problema dos buracos nos 15 mil quilômetros de vias asfaltadas da capital se agrava com as chuvas do verão, que têm sido particularmente intensas. A reportagem do Jornal da Tarde percorreu 114 quilômetros de ruas e avenidas em todas as regiões e nelas encontrou 288 buracos de variados tamanhos, o que dá a média de um a cada 400 metros.

Um outro dado completa o quadro lastimável das vias da cidade. Considerando-se a velocidade média do trânsito da capital na parte da manhã, que é de 25 quilômetros por hora, o motorista que as percorre se depara com um buraco a cada minuto. Constatou-se também que eles se distribuem “democraticamente”, sem preconceitos de natureza social ou econômica, pelas regiões ricas e pobres da cidade, embora nas primeiras sejam tapados mais rapidamente. Ou seja, é um problema que diz respeito a todos os paulistanos indistintamente.

Apesar disso, ele não recebeu no ano passado a atenção que seria de esperar. A Prefeitura garante que tem conseguido tapar 2 mil buracos por dia. As operações tapa-buraco realmente alcançam os objetivos fixados, com números que impressionam, mas são um expediente de emergência. Como o estado das vias já não é bom, o conserto dura pouco, principalmente na época das chuvas e nas ruas e avenidas de tráfego mais intenso e pesado. Por isso, como sempre lembram os especialistas, a verdadeira solução é o recapeamento periódico das vias, e com material de melhor qualidade do que o que tem sido utilizado. Caso contrário, o tapa-buraco não passa de remendo precário.

Como já assinalamos aqui, o programa de recapeamento iniciado em 2005 pelo então prefeito José Serra garantiu importante avanço, com a recuperação de 1.016 vias, ou 1.029 quilômetros. Infelizmente, porém, a Prefeitura contingenciou em 2009 verbas que deveriam ir para aquele programa, alegando dificuldades consequentes da crise financeira iniciada no final do ano anterior.

Já superada a crise, é hora de voltar a investir em recapeamento, porque é inaceitável que uma metrópole da importância de São Paulo tenha de conviver com um sistema viário de tão baixa qualidade, mantido precariamente à custa de remendos. Ele prejudica o trânsito – cada vez mais lento – e a segurança de pedestres e motoristas, que sofrem com frequência acidentes ligados diretamente às péssimas condições de conservação das vias. A Prefeitura, sempre ágil e eficiente na aplicação de multas, não pode se esquecer de que ruas esburacadas são tão responsáveis por acidentes de trânsito quanto motoristas imprudentes ou alcoolizados.



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