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Irã vai produzir o próprio combustível nuclear
Países ocidentais temem que material radioativo seja usado para fabricar armas nucleares
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, determinou ontem que a agência nuclear de seu país comece a produzir urânio altamente enriquecido. De acordo com o grau de enriquecimento, este material pode servir tanto para fins medicinais, como para a produção de energia elétrica ou armas nucleares. A decisão provocou o temor de que o país desenvolva tecnologia para produzir bombas atômicas.
O anúncio desapontou a comunidade internacional pois o próprio Ahmadinejad havia concordado em enviar parte do material radioativo para ser enriquecido no exterior, o que afastaria o risco do país fazer armas nucleares.
“Eu havia dito: Vamos dar (às grandes potências) dois ou três meses e, se não estão de acordo, começaremos nós mesmos a enriquecer urânio”, afirmou ontem o líder iraniano. “Agora, Dr. Salehi, comece a produzir urânio enriquecido a 20% em nossas próprias centrífugas”, ordenou o presidente ao chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi.
O material radioativo iraniano é enriquecido entre 3% e 5%, taxa adequada para o uso civil. Ao ser processado novamente, este combustível pode chegar a 20% de enriquecimento - ideal para uso medicinal - ou até 90%, porcentual requerido para a fabricação de uma bomba nuclear.
Há meses um grupo de seis países - EUA, China, Rússia, França, Alemanha e Grã-Bretanha - tenta, com apoio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), impedir que o Irã enriqueça o material radioativo em suas próprias centrífugas. Ao transferir o processo para o exterior, eles esperavam reduzir as chances de os iranianos enriquecerem secretamente seu urânio na medida necessária para o uso bélico.
Desde o início da negociação, no entanto, o Irã tem alternado promessas de cooperação com ameaças de seguir adiante com seu programa nuclear.
O anúncio repentino provocou fortes reações no Ocidente. Robert Gates, secretário de Defesa dos EUA, afirmou que “ainda há tempo para que as sanções sobre o Irã tenham o efeito desejado”. Os EUA devem pedir que o Conselho de Segurança das Nações Unidas adote punições contra o regime iraniano.
Blefe
Para o Itamaraty, o presidente iraniano blefou. Segundo especialistas brasileiros que acompanham o tema, o Irã não tem capacidade de enriquecer urânio nesse nível em curto prazo. O governo brasileiro tenta se aproximar do país e ainda acredita em um acordo.
A opinião não é partilhada por serviços de inteligência dos EUA e da Europa. Esses órgãos estimam que o país teria capacidade de produzir uma bomba nuclear em menos de cinco anos.
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