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Segunda-feira, 8 fevereiro de 2010   edições anteriores
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  Áreas de risco: obras ineficazes

Ao refazer mapeamento, IPT achou locais em que, apesar de intervenções, ainda há riscos

Obras que deveriam atenuar o risco de deslizamentos em encostas na capital não estão surtindo o efeito esperado. Áreas de risco mapeadas há sete anos – que receberam intervenções da Prefeitura – têm enfrentado os mesmos problemas de antes, principalmente escorregamentos de terra. Algumas explicações estão indicadas em pelo menos 25 ações civis públicas propostas desde 2004 pela Promotoria de Habitação e Urbanismo, nas quais o governo é acusado de não realizar obras estabelecidas por Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) ou de executar projetos ineficazes.

Desde janeiro, geólogos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) contratados pela administração Gilberto Kassab (DEM) para refazer o mapeamento de áreas de risco têm percorrido bairros e favelas inspecionados em 2003. Com essa nova relação, o Ministério Público Estadual (MPE) pretende acionar judicialmente o município, alegando que a Prefeitura não solucionou os problemas em encostas, além de negligenciar a vida dos moradores e não fazer obras definidas por TACs – ou conclui-las de forma ineficaz.

A reportagem esteve semana passada em uma das áreas consideradas revisitadas pelo IPT. A colocação de concreto com perfurações sobre o solo, chamado pelos moradores de “muro” e apontada como uma das soluções para evitar os deslizamentos no Parque Europa, em M’Boi Mirim, zona sul, foi feita. A Prefeitura também removeu dezenas de famílias que viviam entre as Avenidas Itália e Hamilton. As medidas, no entanto, têm se mostrado insuficientes.

Mesmo com a obra, que protege parte do barranco, os escorregamentos continuam. “Desde essa obra, não passamos um verão sem a terra escorregar”, diz o copeiro Francisco dos Santos, de 42 anos, que vive há duas décadas na região. O concreto apresenta hoje algumas rachaduras. Mas o principal problema é que foram colocados canos para escoar a água, que atravessam o outro lado do morro e terminam em uma caixa-reservatório. Segundo os moradores, a caixa transborda e deixa a terra úmida, causando deslizamentos.

Outra região que sofre com áreas de risco é a Casa Verde, na zona norte. Segundo o promotor José Carlos de Freitas, da Promotoria de Habitação e Urbanismo, das 14 áreas onde a Prefeitura deveria fazer obras emergenciais, muitas não contaram com plano de ação para eliminar e prevenir situações de risco.

A Prefeitura reconhece a necessidade de novas intervenções em áreas mapeadas em 2003, como é o caso do Parque Europa. Em nota, a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras informou que, nos dias 1 e 3 deste mês, equipes realizaram vistorias e avaliaram a região. Na Casa Verde, afirma que tem investido em obras de contenção. Bruno Tavares, Renato Machado e Rodrigo Brancatelli



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