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Segunda-feira, 8 fevereiro de 2010   edições anteriores
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  Menos ambulantes e crimes na 25 de Março

Com a substituição da Guarda Civil pela PM, crimes caíram 71% e já é possível andar tranquilamente pelas calçadas. Comerciantes até pensam em colocar bancos e floreiras nas calçadas e enfeitar a via para datas comemorativas

LUÍSA ALCALDE, luisa.alcalde@grupoestado.com.br

Já é possível andar na Rua 25 de Março sem ter de desviar das centenas de barracas de vendedores ambulantes que entupiam as calçadas, invadiam a rua e atrapalhavam o trânsito. Desde dezembro, quando a Polícia Militar passou a fiscalizar o comércio irregular, o principal centro de compras popular da capital, que chega a receber 1 milhão de pessoas em um dia, foi ganhando novo visual.

Antes, três fileiras de camelôs travavam a passagem de pedestres nas ruas. Havia os que montavam barracas nos passeios, os que improvisavam bancas em caixas de papelão e se postavam na rua e os que estendiam lonas com produtos também em parte da via. Segundo estimativas da União dos Lojistas da 25 de Março (Univinco), o número de ambulantes passou de 700 para 71, o que representa redução de 90%. As barracas que sobraram depois que a Prefeitura promoveu o recadastramento, no segundo semestre do ano passado, são só as que têm Termo de Permissão de Uso (TPU) para funcionar.

“Se a PM não estivesse aqui de nada adiantaria a Prefeitura ter reduzido o número de licenças porque os ilegais, que sempre foram em maior número, iriam continuar montando as bancas. Esse fato fez a diferença”, afirma Cláudia Urias, assessora da presidência da entidade. A polícia ocupou o local depois que Estado e Prefeitura firmaram convênio de três anos em 2009 para incumbir a PM de coibir o comércio clandestino em substituição à Guarda Civil Metropolitana (GCM).

A presença da PM se reflete na queda da criminalidade. Os furtos e roubos na região da Rua 25 de Março caíram 71%, se comparado dezembro de 2008 com igual período do ano passado. Os furtos passaram de 380 para 106 e os roubos, de 39 para 16, segundo estatísticas da corporação. “É normal uma diminuição em função do primeiro impacto. Vamos analisar no fechamento do trimestre se a tendência de queda se confirma”, diz o coronel Marcos Chaves, comandante de operação da região central.

Em dezembro foram recolhidos 13,5 mil sacos de 100 litros de mercadorias das mãos de ambulantes ilegais. São apreendidos por dia, em média, 450 sacos de produtos irregulares.

Para melhorar a visualização dos PMs no patrulhamento, a via recebeu duas bases elevadas de observação no mês passado. Elas estão instaladas entre a Rua 25 de Março e a Ruas Afonso Kherlakian e a Ladeira da Constituição. A PM também ganhou base fixa, com dois andares e ar-condicionado, na Rua Lucrécia Leme.

A intenção da Univinco, que financia a infraestrutura aos policiais, é colocar em toda a extensão da rua seis bases elevadas. As encomendas já foram feitas. Cada uma custa de R$ 3 mil a R$ 4 mil. “Vamos investir o que precisar para a região continuar como está. A presença da PM tem 100% de aprovação dos lojistas”, afirma.

“A mudança foi radical. Estávamos indo para o caos sem os policiais”, acrescenta Cláudia. Segundo ela, a entidade já aferiu, por meio de e-mails recebidos, a volta de compradores que tinham deixado de circular pela 25 de Março. “Agora, sem aquela confusão de ambulantes que abarrotavam as calçadas dá para andar e ver vitrines com segurança”, diz.

Animada com o movimento, a Univinco discute com a Subprefeitura da Sé o projeto de uma espécie de bulevar na região. A ideia é colocar bancos e floreiras ao longo da 25 de Março, além da coleta seletiva de lixo e de cabines de informações para turistas.

“Não chegará a ser um calçadão porque a via não será fechada para veículos, mas queremos dar outra cara para o local”, afirma Cláudia. “Com isso implantado, vamos poder até enfeitar a rua no Natal e em outras datas”, diz ela.

Outra mudança que ocorrerá em breve, segundo o coronel Chaves, responsável pelo patrulhamento da área central, será o aumento da distância entre as 71 barracas legalizadas que sobraram, para ajudar no combate à criminalidade. “Os donos de bancas ilegais foram retirados, mas há camelôs que vendem seus produtos em pé, acomodados em sacolas, escondidos atrás das barracas legalizadas”, admite o policial.

A longo prazo, a intenção da Univinco e da PM é colocar os ambulantes legais que restaram em um bolsão, perto do terminal de ônibus do Parque Dom Pedro II.



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