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Segunda-feira, 8 fevereiro de 2010   edições anteriores
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  Principal missão: revelar talentos

“A gente tem de fazer um trabalho de formador. O show não está nos grandes times do País. Está na Europa.” A frase é de César Sampaio e resume o pensamento dos cartolas que vieram dos gramados. Quem não está no comando de clubes que disputam títulos, dá preferência ao trabalho com os garotos nas base. Revelar talentos tem custo mais baixo do que contratar jogadores de idade avançada e ainda pode trazer o retorno financeiro sonhado por qualquer administrador.

“Não é que apostar na garotada é o melhor caminho. É o único caminho. A não ser que você tenha um grande parceiro para investir, não há outra alternativa. E pode dar resultado também dentro de campo”, defende Manoel Maria, da Baixada.

O Litoral, clube de Pelé, adota o exemplo de outros times criados e dirigidos por ex-atletas, como o Primeira Camisa, do zagueiro Roque Júnior. O grande propósito é descobrir talentos.

Equipes que disputam divisões principais de Estaduais importantes, como o América-RJ (de Romário), o Mogi Mirim (que tem Rivaldo como dono) e o Ituano (presidido por Juninho Paulista), tentam mesclar os mais experientes com os jovens.

A iniciativa pode preencher uma atual lacuna no mercado. Grandes times experimentam momentos amargos nas categorias de base. O São Paulo enfrenta ações de meninos que tentam sair do Morumbi. O Palmeiras tem dificuldade histórica de revelar jogadores e os principais talentos são divididos com empresários. Mesmo problema enfrenta o Santos. Neymar e Paulo Henrique, por exemplo, têm porcentagens presas ao Grupo DIS. Os dois são os craques do time hoje, agora ao lado de Robinho.

“O êxodo é inevitável. Não tem como competir com o euro. Os jogadores saem logo do Brasil”, diz Zico, criador do CFZ, que começou disputando as divisões inferiores do Rio e hoje está em Brasília. O clube do Galinho passou dez anos tentando chegar à Primeira Divisão, sem sucesso. O que mostra, entre outras coisas, que mesmo para dirigir um clube experiência conta muito. “Claro que é fundamental. Eu já passei pelo Metropolitano (Santa Catarina), Pelotas, Rio Claro, Guaratinguetá, Mogi Mirim e Rio Claro de novo... A gente comete equívocos e se prepara para a chance seguinte. Experiência evita erros”, garante César Sampaio.

Projeto político

Um dos problemas mais comuns desses novos profissionais é planejar trabalho a longo prazo em equipes do interior, alvos de interesses que vão além do esporte. “Muitas vezes você encontra o clube que é projeto político de alguém ou é montado apenas para dar retorno imediato”, completa o ex-volante.

Mesmo assim, os resultados dos times dirigidos por ex-boleiros começam a pipocar. O Votoraty venceu a Série A-3 e a Copa Paulista. O América ganhou a Segundona carioca. O Vasco voltou à elite do Nacional. “Sao times dirigidos por mim, Romário e Dinamite. E nós três formamos o ataque do Vasco nos anos 80”, diz Mauricinho. (A.S.)



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