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Costumes não evoluem tanto quanto a indústria
A tradição de obediência hierárquica no mundo corporativo coreano tem clara influência da filosofia de Confúcio, que legitimava a submissão aos superiores. Essa relação começou a ficar clara com a migração mais acentuada da população rural para as cidades, entre os anos de 1940 e 50, e prevalece até hoje. Aquela era uma população mais acostumada ao trabalho pesado e sem a presença de instituições como os sindicatos.
O país passou por uma série de evoluções, e suas grandes empresas, como LG, Hyundai e Samsung, se globalizaram. Passadas algumas décadas, o choque cultural persiste, diz Gilmar Masiero, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, doutor em economia e especialista em Coreia do Sul. “Os coreanos têm assimilado normas de conduta internacionais, mas há resíduos das relações de trabalho do país”, diz.
Masiero explica: “Aqui o brasileiro trabalha para viver; na Coreia a prioridade é outra: o coreano primeiro trabalha, depois, vive”. Mesmo com a atual renda per capita, o emprego no país ainda é muito disputado. E há convenções sociais que condenam os desempregados. Há pouco tempo, segundo o professor, a jornada de trabalho dos coreanos chegava a 60 horas semanais. Hoje, oficialmente, é de cerca de 48 horas. Mas se trabalha muito mais do que isso.
Em suas pesquisas e visitas ao país, Masiero comprovou que, de fato, segundo a cultura coreana, é normal que chefes se expressem aos gritos com os subordinados. Em situações extremas, como manifestações grevistas, o coreano pode chegar ao confronto físico. “O brasileiro não entende o coreano e seus padrões diferentes dos vistos no Ocidente. E é bom lembrar que, enquanto eles gritam com os funcionários, o Brasil também tem situações que são inadmissíveis para outros povos, como os casos de trabalho escravo.”
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