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Terça-feira, 19 janeiro de 2010   edições anteriores
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  Ir da Castelo ao Rodoanel? Agora, só pagando pedágio

Com o novo modelo de cobrança na estrada, que entrou em vigor no domingo, concessionária fechou os acessos livres para o anel viário. Agora, todos os motoristas pagam pedágio. Ontem, no primeiro dia útil da mudança, houve confusão e protesto

FÁBIO MAZZITELLI, fabio.mazzitelli@grupoestado.com.br

As mudanças de tarifa e do modelo de cobrança nas praças de pedágio da Rodovia Castelo Branco (SP-280), nas proximidades da capital, trouxeram a reboque o fim do livre acesso da estrada ao Rodoanel Mário Covas. Agora, para acessar o anel viário, os motoristas têm, obrigatoriamente, de passar pelo pedágio e pagar a tarifa de R$ 2,80, o que motivou protestos e confundiu muita gente ontem, primeiro dia útil da alteração.

O novo pacote tarifário da Castelo entrou em vigor na madrugada de anteontem. A cobrança de pedágio, antes restrita às pistas marginais, foi ampliada para todas as faixas da rodovia. Ou seja, passam a ser taxados cerca de 50 mil veículos que trafegam por dia em cada sentido da via. A tarifa, por outro lado, foi reduzida de R$ 6,50 para R$ 2,80 para quem usava as pistas marginais, ou cerca de 25 mil por dia em cada sentido.

Além disso, as alças dos acessos ao Rodoanel no km 18 (sentido interior) e no km 20 (sentido capital) foram transferidas de antes para depois das praças de pedágio. Na prática, isso significa que o motorista que antes chegava ao Rodoanel sem cobrança terá de pagar para entrar nele - e também para sair. No anel viário, que interliga rodovias que servem a capital paulista, há cobrança de pedágio (R$ 1,30) em todas as saídas. Por causa disso, alguns motoristas já ameaçam evitar o Rodoanel, concebido para atrair veículos que estejam de passagem pela capital e, dessa forma, desafogar o trânsito da metrópole.

“Vinha com o caminhão por esse caminho, mas agora vai ficar difícil. Se quer cobrar aqui, devia liberar lá. Assim, a gente vai ficar trocando figurinha: tem fila aqui e lá, cobrança aqui e lá. Isso gera custo”, protestou o motorista Silvio Brilhante, de 38 anos, que transporta cargas e utiliza o trecho até três vezes por semana.

No final da tarde, uma passeata organizada por entidades sindicais e lideranças da região ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT) chegou ao pedágio do km 18 por volta das 17h20. Os manifestantes panfletaram contra a cobrança durante uma hora, com gritos de protesto apoiados por motoristas, como “passa sem pagar”.

Alguns levaram a sério e passaram direto pelas cancelas do sistema automático de cobrança, o Sem Parar. Como muitos motoristas não sabiam das mudanças, a concessionária ViaOeste, que administra a Castelo Branco, montou um esquema de cobrança improvisado que contava com cobradores ambulantes. Alguns abordavam o motorista na fila do pedágio e outros orientavam a estacionar depois da cancela para efetuar o pagamento. Quem declarava não ter dinheiro assinava um compromisso de que quitaria o débito em até cinco dias úteis, sob pena de multa. O capitão Maurício Guerra, comandante da Polícia Rodoviária, disse que era a hora de orientar, não autuar motoristas.“Todos têm de pagar. Alguns motoristas não perceberam a mudança”, diz João Daniel Marques da Silva, gestor da ViaOeste.



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