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Longe de blitz, lei antifumo ganha versão light na praia
Nos bares e restaurantes do litoral norte com áreas ao ar livre, os comerciantes têm dificuldade de fazer o turista apagar o cigarro e há confusão sobre o que está ou não liberado. Alguns dizem nunca ter recebido visita de um fiscal
Luísa Alcalde, luisa.alcalde@grupoestado.com.br
Por serem abertos, com varandas e mesas ao ar livre ao lado de marquises e toldos, bares, restaurantes, padarias e até shoppings centers de praias do litoral norte de São Paulo estão com problemas na hora de fazer veranistas apagarem o cigarro. A lei antifumo deve ser cumprida em todo o Estado.
Comerciantes de Barra do Saí, Juqueí, Maresias, Camburi e Boiçucanga dizem não ter recebido ainda a visita de fiscais, apesar de a nova regra ter entrado em vigor desde 7 de agosto. Nem para serem orientados sobre o que pode e o que não pode mais. A Secretaria Estadual da Saúde diz que as blitze estão ocorrendo normalmente e que foi divulgada campanha sobre a lei (leia ao lado).
“Algumas pessoas acham que a lei não está aqui. Só em São Paulo”, observa a gerente do restaurante Sahy Ice Point, Néia Soares, de 25 anos. O estabelecimento tem mesas embaixo de toldos e outras, bem ao lado, em uma área ao ar livre, onde permite-se fumar.
O curioso é que em frente a esse restaurante funciona outro, o Cantinho do Sahy, com características iguais. Mas nas mesas ao ar livre a proprietária, Silvana Santana Lechinieski, de 34 anos, já não permite o fumo. “Só pode acender cigarro fora do estabelecimento, na calçada”, diz ela.
“O espaço aberto fica muito próximo de onde está o toldo. Não tem como a fumaça não invadir e isso pode incomodar outros clientes”, justifica Silvana. A lei libera o cigarro em áreas ao ar livre, como quiosques de praia, por exemplo.
No Beira Praia Shopping, em Boiçucanga, a confusão sobre o que está ou não liberado é a mesma. O centro de compras tem corredores abertos intercalados com toldos. “As pessoas acham que aqui é uma extensão da praia. Entram com cigarro aceso e temos de lembrá-las que é um shopping e também não pode”, afirma o encarregado Erivaldo Batista de Souza, de 25 anos.
Em ambientes fechados de uso coletivo, a legislação veta o cigarro, caso dos shoppings centers. “Não pode nem ali no jardim interno. Mas o turista vem da areia fumando achando que está tudo bem”, completa o dono da pizzaria Piazza D'Itália, Itamar Said, de 58 anos. “Nunca vi um fiscal aqui e não sei de nenhum estabelecimento que tenha sido visitado.”
Patrícia Moreira, de 38 anos, dona do restaurante Cheiro Verde, de Maresias, confirma. “Desde que a lei passou a valer, não vi fiscais atuando ainda”, afirma.
“O turista ainda insiste e vira e mexe tem alguém acendendo um cigarro. Tenho de pedir para a pessoa ir para a calçada”, comenta Flávio Gonçalves de Araújo, de 31 anos, gerente do restaurante Caravelas, de Boiçucanga. “Na temporada, vou redobrar a atenção.”
Em Juqueí, o restaurante Madre Guadalupe tem varanda coberta e, por isso, colocou banco e cinzeiro na calçada. “Assim fica mais do que sinalizado que aqui dentro não pode”, afirma o gerente Fernando dos Santos, de 25 anos.
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