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SP tem bairro alagado e buraco em via
Este era o cenário na capital 24 horas após o temporal que parou São Paulo. O prefeito Gilberto Kassab (DEM), no entanto, voltou a afirmar que os transtornos não foram tão graves e que a cidade retomou a rotina “duas horas depois”
Naiana Oscar, Leandro Calixto, Luísa Alcalde, Isis Brum e Lais Cattassini
O dia seguinte à chuva que parou São Paulo, inundando as marginais do Tietê e do Pinheiros e causando 105 pontos de alagamento, foi de limpeza, contagem de prejuízos e com um bairro da zona leste ainda totalmente alagado. Motoristas enfrentaram um buraco enorme que se abriu na Av. Dr. Arnaldo, na zona oeste. Para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), no entanto, os transtornos não foram tão grandes e a cidade vive “um bom momento”. “O que tivemos foi uma chuva intensa, localizada, e o transbordamento do Rio Tietê. Não foi o caos porque duas horas depois a cidade estava voltando à sua rotina”, disse.
Já o governador José Serra (PSDB) se pronunciou pela primeira vez sobre a chuva. Disse que o governo nunca investiu tanto no combate às enchentes.
A situação mais grave ontem era a do Jardim Helena, no extremo da zona leste da capital, na divisa com Itaquaquecetuba (Grande São Paulo). Cerca de 2 mil pessoas, segundo a Defesa Civil, tiveram suas casas invadidas pelas águas do Rio Tietê. Para chegar aos imóveis, os moradores tinham que caminhar com água pela cintura. Muitos vivem em sobrados e se refugiaram nas partes altas das casas. Vários carros submersos eram vistos pelas vias. O Centro de Educação Unificado (CEU) Três Pontes estava isolado e alagado. Só se chegava lá de bote. Não há previsão para a situação voltar ao normal.
Na zona oeste, a chuva causou a abertura de um grande buraco na Avenida Dr. Arnaldo. A cratera, com 10 metros de largura e 20 de comprimento, interditou duas faixas da via no sentido centro-bairro. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, o bloqueio continuará até domingo à tarde, quando os trabalhos de recuperação da pista estarão concluídos. Segundo a Secretaria das Subprefeituras, mil buracos surgem por dia nas ruas da capital. O número triplica em dias de chuva intensa.
Na mesma região, a escola de samba Pérola Negra, do Grupo Especial, calculava um prejuízo de R$ 30 mil ontem. A agremiação teve comprometidos dois carros alegóricos, um deles o abre-alas, que estavam no barracão da agremiação, sob Viaduto Mofarrej, na Vila Leopoldina. Todos os adereços precisarão ser trocados. A situação só não foi pior porque 20 dos 60 funcionários estavam no local quando começou a chuva.
Vizinha ao barracão, a Companhia de Entrepostos e Armazéns de São Paulo (Ceagesp) reabriu suas portas ontem, após um dia fechada em razão dos alagamentos. A região foi uma das mais afetadas pela chuva de anteontem. Os produtos que entraram em contato com a água, a maioria melancias e abacaxis, foram jogados no lixo. A Ceagesp informou que o terminal foi higienizado com cloro de alta concentração para evitar a contaminação dos produtos vendidos. As perdas somaram 70 toneladas de alimentos, 10% do movimento diário, um total de R$ 15 milhões. Nas ruas próximas, os moradores limpavam suas casas.
Investimentos de combate às enchentes MUNICÍPIO Desde 2006, a Prefeitura gastou 68% do previsto no Orçamento para obras antienchente
Do R$ 1,1 bilhão reservado para o combate aos efeitos da chuva nestes quatro anos (2006 a 2009), a administração Kassab investiu R$ 751 milhões
No ano passado, a Prefeitura aplicou 1% a mais do que estava previsto para essas obras Neste ano, foram investidos até agora R$ 241 milhões dos R$ 329 milhões orçados, ou 73%
A área mais prejudicada foi a construção de piscinões, que recebeu apenas 8% do planejado
ESTADO O governo José Serra (PSDB) investiu menos da metade do previsto em obras na Bacia do Alto do Tietê em 2009: R$ 71 milhões até outubro, contra um Orçamento de R$ 188 milhões
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