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Domingo, 6 dezembro de 2009   edições anteriores
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  Sem fiscalização, Lei Seca vira piada no litoral de SP

Polícia Militar promete dobrar o número de testes de bafômetro com a chegada de mais
equipamentos durante a temporada. No verão passado foram feitos 1.090

Naiana Oscar, naiana.oscar@grupoestado.com.br

Do alto da Ilha Porchat, com vista para a Baía de São Vicente, caneca de chope na mão, Edvaldo hesitou por cinco segundos antes de responder. “E a Lei Seca? Tá firme por aqui?” Justificou o silêncio: “Sabe que por alguns instantes eu não fazia ideia do que você estava me perguntando? É um assunto que não me preocupa e confesso que saí de casa hoje sem pensar nisso.” O engenheiro mecânico Edvaldo de Oliveira Santos Júnior, de 50 anos, beberia três canecas de chope escuro antes de levar a namorada, a cunhada e a sogra para a casa delas em Santos. Estava dirigindo e, como tantos outros motoristas do litoral, não temia ter de soprar o bafômetro.

Na última temporada de verão, entre dezembro e fevereiro, 1.090 pessoas fizeram o teste nos nove municípios da Baixada Santista. É menos do que a média de 1,6 mil motoristas fiscalizados por dia na capital. O tenente-coronel Jairo Bonifácio, responsável pelo litoral sul, tenta explicar o resultado: “A atuação se dá de forma intensiva em várias frentes e demanda do batalhão uma ação muito diversificada. Não é possível centrar esforços numa única atividade, como a fiscalização da Lei Seca”.

Motorista há dois meses, o estudante Luís Cláudio Santos, de 18 anos, já percebeu a deficiência da polícia. Não dispensa a vodca com energético antes da balada. Como não conhece ninguém que tenha soprado o bafômetro no último ano, faz piada sobre o tema. “Sou um piloto, tipo o Schumacher.” Às 23h30 de uma sexta-feira, chegou de carro com a namorada a um bar da orla de Santos para o “esquenta”.

A maior preocupação da Companhia de Engenharia de Tráfego da cidade é com as madrugadas. Durante o dia, com um incremento de 30% na frota, os congestionamentos freiam também os acidentes com vítima no perímetro urbano. À noite, as pistas vazias são um convite à velocidade. “Por isso, a gente entende que a fiscalização tem de continuar”, afirma Rogério Crantschaninov, presidente da companhia. “Parece que faz parte do kit-turista no litoral uma latinha de cerveja na mão.”

A PM promete dobrar o número de blitze com a chegada de mais bafômetros. Compromisso firmado também em 2008, quando a quantidade de equipamentos havia passado de 3 para 30. No verão, a população passa de 1,2 milhão para 3 milhões. “Não temos condições humanas de aplicar o teste em todo mundo”, diz Bonifácio. O batalhão da polícia enfrenta o mesmo dilema no litoral norte - com quatro bafômetros (um para cada cidade). “A maioria dos turistas sai de São Paulo para ‘cachaçar’ aqui”, diz o major Tobias Teodoro Nogueira. “É tanta muvuca que não temos como fazer uma caça às bruxas.” O coronel da reserva José Vicente da Silva Filho defende que, nas praias, a ação da PM para cumprir a Lei Seca seja ainda mais intensiva do que na capital. “No litoral, as pessoas fazem o que não fazem aqui (São Paulo). Bebem no almoço, à tarde, à noite.” O clima propício à bebedeira acaba, segundo ele, gerando uma certa tolerância por parte dos policiais. “É um trabalho para salvar vidas e não pode haver omissão.”



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