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Alunos trocam salas por aula ao ar livre
Tática de um colégio de Higienópolis ampliou o interesse dos estudantes pelo conhecimento
Luísa Alcalde, luisa.alcalde@grupoestado.com.br
Todas as sextas-feiras durante a tarde, alunos do 6º e do 7º ano do ensino fundamental da Escola Carlitos, em Higienópolis, na zona oeste da capital, saem às ruas do bairro onde estudam para ter aulas ao ar livre.
Com cadernos, blocos de anotações e câmeras nas mãos, eles entrevistam moradores, fazem visitas a instituições instaladas na região, como faculdades e hospitais para assimilar o que aprenderam na aula de geografia. “Nas turmas do 6º ano, a matéria trabalhada atualmente em classe são as paisagens”, explica o professor André Poiato, de 37 anos.
E os garotos prestam atenção a tudo o que veem, fachadas antigas, novas edificações, traçados contemporâneos e barrocos. O foco são as transformações na paisagem do bairro antes horizontal e hoje, após a verticalização iniciada no século 21. “Já percorremos o Hospital Samaritano, FAAP, Praça Buenos Aires, Pátio Higienópolis e filmamos o cotidiano das pessoas nesses espaços, a vivência de memória delas em relação ao local onde moram, estudam e trabalham. Tudo isso é analisado sob o ponto de vista da personalidade do bairro”, afirma o professor.
Segundo ele, as problemáticas também são apontadas, como os moradores de rua, o trânsito, mas o foco gira em torno da paisagem, conteúdo trabalhado na disciplina, e a influência do homem na natureza. Na pesquisa externa as classes são divididas em cinco grupos. Isabela Mendonça, de 11 anos, aluna do 6º ano, conta que adora sair às ruas para saber a história da região em que estuda. “Vale muito mais do que ficar fechada na sala de aula”, diz. A colega dela, Júlia Gaj, de 11 anos, concorda: “Aprendo mais vendo ao vivo o que se só visse nos livros.”
Luiza Vidigal, de 12 anos, também do 6º ano do ensino fundamental, tem a mesma linha de raciocínio. “Só vendo fotografias ou gravuras não é a mesma coisa do que olhar tudo de pertinho. Aprendi muita coisa que não vou esquecer mais”, conta, animada.
O resultado da pesquisa será transformado em um documentário com finalização prevista para novembro. O trabalho já ganhou até nome: Higienópolis em foco!
A infestação de cupins em Higienópolis é o tema dos trabalhos extraclasse desenvolvidos pelos alunos do 7º ano da Escola Carlitos. “São projetos diferentes que se interligam na temática”, explica Poiato. “Eles perceberam que as árvores do bairro estão com infestação de cupins e que o problema atinge 80% das edificações.”
A descoberta da praga despertou nos estudantes a curiosidade em estudar com mais profundidade as espécies de cupins existentes. “Eles entrevistaram famílias e estão em processo de documentação das informações colhidas, por meio de fotos tiradas das árvores praguejadas”, diz a professora de ciências, Débora Soifer. O registro será veiculado na revista interna do colégio, batizada de Panorama. O conteúdo é editado pelos alunos no fim do ano letivo.
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