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Lula chama ação do MST em SP de 'vandalismo'
Presidente afirmou ser defensor de lutas sociais, mas que não concorda com cenas que viu na TV
O presidente Lula classificou de “vandalismo” a ação do Movimento dos Sem-Terra (MST) no interior de São Paulo. Ele criticou ontem a destruição de pés de laranja com tratores realizadas pelo movimento em uma fazenda do grupo Cutrale no último dia 28.
“Todo mundo sabe que eu sou defensor das lutas sociais neste país, que eu sou defensor das lutas que o povo se manifesta pelo Brasil inteiro. Agora, entre uma manifestação reivindicando alguma coisa e aquela cena de vandalismo feita na televisão, obviamente que eu não posso concordar com aquilo”, desabafou Lula.
Nos últimos cinco anos, o governo repassou a nove entidades, que seriam ligadas ao MST, um total de R$ 115 milhões. Para o presidente, “não tem explicação para a sociedade você derrubar tantos pés de laranja apenas para demonstrar que você está reivindicando alguma coisa”.
Segundo Lula, os movimentos podem reivindicar “sem precisar fazer destruição, em máquinas e em pés de laranja”. Ele tentou demonstrar que o governo não vai deixar que atitudes como essa do MST fiquem impune. “Acho que todo mundo no Brasil já aprendeu que este País tem lei, tem Constituição. Quem estiver dentro da lei, pode fazer qualquer coisa; quem não tiver, pagará o preço por fazer”, afirmou em entrevista coletiva, no Itamaraty.
Apesar da condenação pública do presidente Lula à atitude do MST, o governo não vai retaliar o movimento ou criminalizá-lo. O governo entende que atitudes como esta enfraquecem o MST, que já chegou a ter apoio de parte da classe média e, agora, é alvo de críticas. Auxiliares do presidente comentam que os repasses de recursos ao movimento são legais e que não se pensa em suspendê-los por causa desse tipo de ação.
Nos bastidores, o governo considerou ingênua politicamente a ação do MST. Segundo assessores de Lula, a invasão ocorreu no momento em que setores do Congresso articulavam a criação de uma CPI para investigar os repasses para entidades ligadas ao MST, que o governo tentou barrar.
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