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Carandiru terá nova biblioteca
Unidade deverá abrigar 30 mil livros e revistas e integrará toda a rede de bibliotecas do Estado
EDISON VEIGA e VITOR HUGO BRANDALISE
Um sonho da década de 1940 está prestes a ser realizado. A partir de 25 de janeiro, os paulistas terão uma biblioteca central para as 961 bibliotecas públicas (municipais) espalhadas pelo Estado - dos 645 municípios paulistas, apenas 43 não têm bibliotecas. A Biblioteca de São Paulo, como será chamada, vai funcionar em um pavilhão de 4,2 mil m² no Parque da Juventude - onde ficava a Casa de Detenção do Carandiru, na zona norte.
“A ideia é que o espaço fique aberto de manhã, à tarde e à noite, também aos fins de semana”, diz a gestora do projeto, Adriana Ferrari, assessora de gabinete da Secretaria de Estado da Cultura. A nova biblioteca - com projeto inspirado na Biblioteca Pública de Santiago do Chile - será utilizada como modelo para outras unidades. “O livro estará ao lado de todos os outros suportes, como CDs e DVDs, jornais e revistas. Será um espaço dinâmico, onde os livros não mofam nas estantes”, diz o secretário de Estado da Cultura, João Sayad. “Queremos que fique parecido com grandes livrarias, que hoje recebem muito mais leitores do que bibliotecas.”
Para se assemelhar às livrarias privadas, o projeto prevê estantes baixas, com livros ao alcance das mãos. Os bibliotecários serão instruídos a “atuarem como vendedores”, oferecendo dicas de livros para visitantes. No acervo de cerca de 30 mil livros, a promessa é que não haja espaço para preconceito - poderão ser encontrados livros e revistas com acesso proibido para menores de 18 anos. “Vai ter Machado de Assis, mas defendo que tenha Playboy também”, afirma Sayad.
Projetada para ser totalmente acessível, a biblioteca terá um equipamento inovador: um “scanner” que transformará livros normais para a linguagem Braile e em audiobooks. “Abrirá um leque enorme de leitura para pessoas cegas”, diz o secretário. Equipamentos para autoempréstimo também estarão disponíveis.
Para a criação da biblioteca, serão investidos R$ 12,5 milhões - R$ 10 milhões do Estado e R$ 2,5 milhões do Ministério da Cultura. Ainda haverá verba de R$ 1 milhão para compor o acervo. “Devemos ter um valor semelhante, todos os anos, para atualizá-lo”, diz Adriana. Uma vez pronta e aberta, a biblioteca será administrada pela Poiesis, organização social à frente também da Casa das Rosas e do Museu da Língua Portuguesa. “Vamos fazer dela uma biblioteca que não tenha medo do prazer, que incentive a leitura”, explica o poeta e crítico literário Frederico Barbosa, diretor da Poiesis. “Nada daquela imagem de um lugar escuro com uma velha chata fazendo ‘psiu’”, afirma.
Os planos não param por aí. Instalada a biblioteca central, a meta será integrar toda a rede de bibliotecas públicas paulistas. “O primeiro passo será a criação de um sistema único de busca”, conta Barbosa. “Só depois vem o nosso grande sonho: universalizar o acesso. Queremos que qualquer cidadão paulista, por sistema de intercâmbio, tenha acesso a livros de qualquer biblioteca.”
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