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A parte de culpa de Kassab na greve da GCM
Mesmo que fossem descabidas as reivindicações salariais feitas pelos líderes da corporação da Guarda Civil Metropolitana (GCM), não se pode deixar de levar em conta o papel do prefeito Gilberto Kassab na decisão de entrar em greve por esta tomada. A categoria reivindica aumento de 60% para 140% na gratificação de Regime Especial de Trabalho Policial (RETP), o que possibilita a elevação da remuneração base da categoria de R$ 855 para R$ 1.281,60. O impacto eventualmente provocado pelas proporções é atenuado ao se ter conhecimento dos valores absolutos. Não se pode dizer que os guardas municipais paulistanos ganhem propriamente uma fortuna e estejam reivindicando algo descabido. Mesmo com a elevação pedida, seu salário seria um dos menores da região metropolitana, segundo o presidente do Sindicato dos Guardas Civis Metropolitanos da Cidade de São Paulo (SindGuardas), Carlos Augusto Sousa e Silva. A afirmação foi confirmada em levantamento publicado pelo Jornal da Tarde mostrando que a GCM tem o pior salário, se comparado com outras dez cidades paulistas: seu salário base de R$ 534,71, ao qual é acrescentada a gratificação de R$ 320,82, representa um terço do que Mauá paga a seus guardas municipais. Além da questão meramente salarial, o prefeito da capital não teve propriamente muita habilidade ao descartar a possibilidade de dar o aumento pedido no mesmo momento em que autorizou o uso de recursos públicos do Município para gratificar policiais militares (PMs) que trabalham em convênio com a Prefeitura. Pode-se argumentar que a decisão de pagar bônus de até R$ 1.800 por mês a 2.500 PMs, pagos pelo Estado para garantir a segurança dos cidadãos, não tem relação direta com as queixas dos grevistas. Mas salta aos olhos do observador imparcial o fato de que a negativa de Kassab de negociar o aumento pretendido por estes, reforçada pelo anúncio do corte de gastos de R$ 3 bilhões para este ano por culpa da queda de atividade econômica provocada pela crise financeira internacional, perde força tanto pelo desembolso de gratificações quanto pelo aumento desproporcional dado aos membros do primeiro escalão de sua administração: os secretários, que ganhavam R$ 5,3 mil, passarão a receber R$ 21,5 mil, ou seja, 300% mais.
Ao apelar para os guardas municipais voltarem a trabalhar normalmente, alegando que “essa não é a forma adequada para fazer negociações”, o prefeito paulistano não levou em conta os próprios erros na condução desastrada do processo que terminou em confronto. Como no episódio da proibição da circulação de ônibus fretados em ruas do centro da cidade, sua administração insiste em adotar providências sem avaliação prévia da situação e das consequências delas. A atitude de Kassab no caso da greve da GCM teve participação decisiva na decisão da categoria de parar de trabalhar. Não lhe ficaria mal reconhecer o erro e recuar humildemente em nome da justiça e da razão.
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