| |
Bom e barato, mas sem poeira
Márcio Oyama
É um brechó? Não, dizem as proprietárias. Uma ‘feira do rolo’ fashion? Longe disso. Então, uma loja de roupas normal? Não outra vez. Do que, afinal, se trata o Super Cool Market, espaço recém-aberto na Vila Madalena, zona oeste, causando frisson entre sites e blogs de moda? O JT foi conferir a novidade e atestou: o negócio, além de inserir um novo conceito no mercado de indumentária brasileiro, faz bem aos bolsos dos consumidores.
Dos consumidores, vale ressaltar. A loja vende e compra roupas usadas, levando em conta modernidade e qualidade. Nada tem cara de velharia ou segunda mão, coisa comum em brechós. Só os preços remetem às lojinhas empoeiradas - é possível achar calças Levi’s por R$ 49,90, camisetas VRom por R$ 17,90, camisas Banana Republic por R$ 39,90... Carla Lamarca, ex-VJ da MTV, apresentadora do Fashion TV e agora proprietária do Super Cool, junto às sócias Daniela Klaiman e Samantha Barbieri, enumera outras diferenças do local em relação aos cabideiros de antiguidades: “Além de não compramos peças vintage (antigas), não fazemos negócio por consignação. E o espaço aqui é amplo, ao contrário dos brechós tradicionais, pequenos e abarrotados. Também vendemos a nossa própria marca. E ainda temos um cesto em que os clientes colocam roupas para doação. Uma instituição beneficente será contemplada a cada mês.”
Não vá na ambição
Mas se alguém for ao local na tentativa de levantar uma grana, oferecendo trajes bons que não veste mais, vai se frustrar. As peças são avaliadas na hora e o vendedor não recebe o valor integral. Precisa escolher: ou leva 30% do preço determinado em dinheiro ou 50% em produtos da loja (um tipo de escambo indireto). Assim, para quem vende, interessa renovar o guarda-roupa e não encher a conta bancária.
“É um conceito inédito, que trouxemos de Nova York”, conta Carla. “Quando estivemos lá, vimos uma fila enorme em frente a uma loja. Era a Buffalo Exchange, de roupas ‘recicladas’. Como não havia nada igual no Brasil, resolvemos trazer o formato para cá.”
Escorada pela Fashion TV, a própria Carla se encarrega de avaliar o que é levado à loja pelos clientes-vendedores. “Não aceitamos só peças de grife, mas elas devem apresentar bom estado.” E, pelo que se vê nas araras, a seleção se esmera mesmo no quesito design: só há atualidade nos cabides. Batas, camisetas e calças se misturam a sapatos, lenços e até gravatas, tudo antenado. “Lavamos os produtos antes de expô-los”, tranquiliza Carla.
Por enquanto, a grife Super Cool, vendida junto às roupas usadas, oferece apenas camisas de flanela com estampa xadrez. O preço destoa do resto: R$ 109,90.
|