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As palavras estão nos genes delas
Gilberto Amendola
Basta uma rápida conversa por telefone para perceber que a escritora Mayra Dias Gomes, de 21 anos, e a roteirista Renata Dias Gomes, de 25, habitam universos diferentes. Enquanto Mayra faz da literatura seu próprio rock’n’ roll, Renata navega por mares mais calmos, na teledramaturgia. Apesar das diferenças, existe um nome unindo essas duas artistas: o mais importante dramaturgo brasileiro, autor de O Pagador de Promessas, Dias Gomes (1922 -1999). Mayra é filha dele; Renata, sua neta.
Mayra tem dois livros, Fugalaça, que escreveu com 17 anos, e Mil e Uma Noite de Silêncio, que acaba de ser publicado. Os dois trazem altas doses de sexo, drogas, rock e muito desespero adolescente. Pode parecer um amontoado de clichês, mas Mayra mostra talento. “Sempre estive próxima da literatura. Desde novinha, acompanhava o meu pai em eventos na Academia Brasileira de Letras também em bienais de literatura. Aos 11 anos, já queria escrever um livro.”
Renata, que acaba de ser contratada pelo SBT para desenvolver projetos de dramaturgia, tem uma história parecida. “Frequentava os palcos, o teatro, já na barriga de minha mãe (a atriz Neuza Caribé).” Também desde muito nova, Renata escrevia pequenos contos e poesias - que eram enviados pelos seus pais, secretamente, para o seu avô, Dias Gomes. “Às vezes, ele ligava em casa e comentava o que eu tinha escrito. Eu ficava surpresa.”
Mayra, apesar de também incentivada, tinha uma postura mais rebelde - e queria fugir da profissão do pai. “Sonhei ser estrela do rock.” Seus ídolos eram Marilyn Manson, Iggy Pop, Ramones, Nirvana... “Morei um tempo em Seattle. Então, peguei toda essa influência. Acho que sou mais influenciada pela música do que pela literatura.” Além de escritora, Mayra faz entrevistas com astros do rock para a revista Spin. “Já tenho ideias para um próximo livro. E esse universo do rock também estará presente.”
Já o próximo passo de Renata é apresentar projetos para o dono do Baú, Silvio Santos. “Tenho vontade de escrever algumas coisas com temática social. Acho que existe espaço para isso na TV.” Renata também assina uma coluna em que fala sobre televisão no site Te Contei.
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