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Sábado, 25 julho de 2009   edições anteriores
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  Capela do Pátio do Colégio repaginada

Tradição de igreja ibérica, azulejos marcam 1ª parte da reforma. Novo altar vai ser reaberto amanhã

MÔNICA CARDOSO, monica.cardoso@grupoestado.com.br

Quem entrar a partir de amanhã na Capela do Beato José de Anchieta, no Pátio do Colégio, centro de São Paulo, mal vai reconhecer o lugar. A primeira etapa da reforma, que chega ao presbitério, terminou ontem e deu nova cara ao local, uma das atrações da região central da capital.

O altar de madeira folheado a ouro do século 19 foi substituído por uma peça maciça de granito vermelho de duas toneladas. O retábulo, um grande arco de seis metros, ganhou um painel de azulejos dourados. Na sua frente, ficará suspenso por um cabo de aço um crucifixo de madeira do século 17.

“Fiz uma releitura do barroco na linguagem atual. Por conta disso, os azulejos, uma tradição das igrejas ibéricas, são dourados. Os retábulos das antigas igrejas barrocas eram de ouro”, explica o artista plástico Cláudio Pastro, autor do projeto da reforma.

Anchieta no jardim

O piso de granito cinza foi substituído por granito vermelho. A sédia, onde o padre permanece sentado durante a liturgia, também é uma peça maciça de granito vermelho, de 1,5 tonelada.

A figura de bronze de José de Anchieta foi para o jardim. “O Concílio Vaticano 2º estabeleceu, na década de 1960, que o mobiliário seja de pedra, como uma forma de voltar às origens. A capela ficou mais ‘clean’. A estética é teologicamente pensada para que a arte esteja em função da liturgia”, diz o padre da capela, Carlos Contieri.

A segunda etapa da reforma, que será feita na nave, espaço onde ficam os fiéis, começa nesta segunda-feira. As paredes laterais ganharão painéis de azulejos brancos e azuis, que remetem ao estilo português, e contarão a história do padre Anchieta.

A pia batismal e o ambão (de onde são feitas as leituras da missa) também serão de granito. Quatro grandes colunas de madeira, de 1680, estão sendo restauradas. Após o restauro, duas colunas ficarão ao lado do retábulo e duas vão para o museu ao lado da capela.

O valor da reforma, de mais de R$ 300 mil, foi arrecadado com doações de fiéis e da Província dos Jesuítas da região, autoridade responsável pela ordem religiosa.

Na berlinda

A igreja atual, construída em 1979, é uma réplica da antiga, que foi demolida. “Como o imóvel não é tombado, ele não tem valor histórico e pode ser reformado”, afirma Percival Tirapeli, professor de Arte da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da Prefeitura deve solicitar o projeto apenas para registro porque a capela se localiza em uma área que envolve outros tombamentos do órgão.

Para o professor de História da Arquitetura da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), Benedito Lima de Toledo, a mudança descaracteriza a igreja.

“Deveria ser mantido o estilo das igrejas jesuítas, que se caracterizavam pelo despojamento. A arquitetura paulista era simples porque São Paulo era pobre.”



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