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Terça-feira, 21 julho de 2009   edições anteriores
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  'Som & Fúria' da vida real

O que os bastidores da peça ‘A Comédia dos Erros’ e o seriado da Globo têm em comum? Muito. Fomos ao teatro comparar

Gilberto Amendola, gilberto.amendola@grupoestado.com.br

Som & Fúria, minissérie dirigida por Fernando Meireles, entra hoje em sua última semana. O programa, exibido pela Globo, mostra os bastidores de uma companhia teatral dedicada ao repertório de William Shakespeare. Inspirada pela mesma proposta, a reportagem do JT foi espiar um espetáculo por trás das cortinas - para revelar se os seus segredinhos de coxia são os mesmos exibidos pela TV. A peça escolhida foi A Comédia dos Erros, a primeira escrita pelo bardo inglês.

O espetáculo, acompanhado na sexta-feira, só começaria às 21h. Mas já às 19h30 os camareiros Teresinha e Romário já haviam terminado de arrumar figurinos, objetos de cena e até uma mesa com bolachas e cafezinho. Assim como em Som & Fúria, a turma dos bastidores é quem ‘madruga’ no teatro para deixar tudo pronto para as estrelas.

A demora da chegada de alguns atores tem uma explicação óbvia: o trânsito. Muitos vêm do Rio de Janeiro, descem em Cumbica e precisam enfrentar o congestionamento na hora do rush. Os primeiros do elenco a chegar no teatro são Salete Fracarolli, Marcelo Laham e Marcello Boffa. Ainda com ‘roupas de civil’, o trio começa um aquecimento no palco.

Pouco tempo nos bastidores e já dá para perceber outro ‘sintoma’ que aparece em Som & Fúria: atores e diretores adoram falar deles mesmos e de seu universo. As conversas giram em torno de outros espetáculos, projetos, performances de colegas e pequenas fofocas de coxia. Mas o grande assunto entre os atores foi a gripe suína. “Gente, deu na TV que o governo assumiu que estamos vivendo uma pandemia da gripe”, alertou Boffa. Ele ainda brinca com a possibilidade de interpretar o joalheiro Ângelo, seu personagem na Comédia dos Erros, com uma máscara. Laham e Salete também parecem preocupados. “Estou com um pouco de dor de garganta. Estou ficando gripado”, avisa Laham. “Não pode sair do espetáculo com a cabeça molhada e pegar friagem”, adverte Salete.

Quem chega depois é Claudia Missura, atriz que fez uma participação em Som & Fúria. “O episódio em que eu participo vai hoje (sexta-feira) ao ar. Não vou conseguir assistir”, lamenta. No seriado, Claudia viveu uma assessora do ministério da Cultura que tem um surto ao saber que o personagem de Dan Stulbach (Ricardo) vai pedir uma verba de R$ 2, 5 milhões ao governo federal. “O seriado é muito legal. Acho que consegue captar a nossa realidade. Minha empregada diz que assiste para tentar me entender melhor.” Boffa também adora a minissérie, mas faz uma ressalva: “A única coisa que não bate com a nossa realidade é mostrar uma companhia de teatro estatal.”

Claudia não faz um aquecimento muito pesado. Ela está com fortes dores nas costas - e tem usado um colete por baixo do pesado figurino. Mas de um tipo de aquecimento nenhum ator escapa: o de voz. Quem não está acostumado (ou ainda não viu Som & Fúria) pode se assustar com os BRUM, BLA, BRIIII, ÔÔÔ dos exercícios de voz.

Às 20h30, quase todos os atores estão a postos. Bruno Garcia, Isaac Bardavid, Ravel Cabral Jorge, Roberta Alonso, Pablo Sgarbi, Jefferson Coimbra e Eduardo Muniz. Cada um tem um jeito próprio de se concentrar. No camarim das meninas, Claudia e Roberta brincam sobre quem usa a maquiagem de quem. Do lado dos meninos, o assunto é trabalho. Apenas um tema se espalha pelos dois lados: “Cadê a Monique?”

Claro que Monique é uma vítima do trânsito. Ao chegar, corre para o camarim. Coloca o figurino e maquiagem em tempo recorde. Na coxia, minutos antes de a peça começar, repassa o texto de sua personagem. Com a plateia acomodada, os atores se desejam ‘boa sorte’ - ou melhor, ‘merda’.

O espetáculo começa. O clima é de apreensão, mas só até a primeira risada. Depois, os atores relaxam. Laham, que interpreta Drômio, esquece o texto e ninguém percebe. Na coxia, comenta: “Eu improvisei. Shakespeare deve ter tido um troço.” Também nos bastidores, Garcia comenta que está “um pouco frio em cena”. São ‘crises’ típicas de atores - como bem ilustra o inseguro Jaques (Daniel Oliveira), de Som & Fúria.

Só o clima de disputa parece bem menor na vida real. Quem não está no palco se diverte com o espetáculo e os improvisos alheios. Em clima de camaradagem, Garcia pergunta a Laham: “Não estou matando sua piada, não é?” E Boffa solta a ‘piada’ certeira para o elenco: “A plateia está tossindo muito. Gripe suína!”



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