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Terça-feira, 21 julho de 2009   edições anteriores
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  Polícia reconhece pequenos traficantes

Para as polícias Civil e Militar, venda de drogas é feita apenas por usuários, para sustentar o vício

Marici Capitelli, marici.capitelli@grupoestado.com.br

As polícias Civil e Militar negam que exista na cracolândia um esquema estruturado de tráfico de drogas e afirmam que apenas pequenos traficantes agem na região, abastecendo o consumo local. Segundo as corporações, isso é demonstrado pelas apreensões realizadas na região, nas quais os presos sempre estão com pouca quantidade de entorpecente.

O tenente-coronel Osni Rodrigues de Souza, comandante do 13º batalhão da PM, que atua na área, considera uma “exceção” as imagens flagradas pelo JT. Na avaliação da PM, a cracolândia é resultado de um problema social.

Dados da PM apontam que, de janeiro até o dia 17 de julho, sexta-feira passada, 40 traficantes haviam sido presos na cracolândia, todos com quantidades de crack que variavam de 80 a 100 pedras, o que, diz a corporação, os classifica como ‘pequenos’. Na semana passada, a PM intensificou o patrulhamento na área com homens e viaturas. Entretanto, a corporação não revela os números, alegando motivos estratégicos.

Entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça da semana passada, o JT presenciou a ação da Polícia Militar no cruzamento das ruas Conselheiro Nébias e Vitória. Por toda a noite, os PMs passavam e dispersavam os usuários de drogas. Segundo o tenente-coronel, dispersar a multidão é uma das estratégias de trabalho. “Não deixar acumular (drogados) é um dos objetivos, porque as aglomerações causam mais problemas do que o que já existe”, afirmou.

Ele reconhece, no entanto, que a ação se torna uma briga de gato e rato. “É assim mesmo, a viatura passa, eles saem e voltam”, disse.

Na quarta-feira, uma base móvel foi montada no cruzamento dessas ruas. Os usuários de crack deixaram o local e migraram para vias próximas à Sala São Paulo, na Praça Júlio Prestes. Na noite e madrugada de sexta passada, a Polícia Militar passou poucas vezes no cruzamento da Rua Guaianases com a Rua Vitória, onde cerca de 300 pessoas se aglomeravam. Por volta das 2 horas, foi feita uma ação efetiva, que dispersou os drogados para outras ruas da região.

O delegado Maurício Druziani, titular do 3º DP(Santa Ifigênia), não quis dar entrevista, alegando que acabou de assumir o posto. Mas informou, por meio da Secretaria da Segurança Pública, que não existe uma organização criminosa atuando na cracolândia.

Na avaliação de Druziani, os usuários de crack vendem a droga para sustentar o vício. Segundo ele, a cada prisão, outras pessoas ocupam o lugar do que saiu.

O secretário das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, admite a presença da classe média na região. “Circulo muito por lá à noite e já vi motoristas de carros, como Mercedes, parando para comprar drogas.” O secretário afirma que há casos em que pessoas de classe média acabam ficando pela cracolândia. Segundo ele, uma garota de Moema, cuja família morava em um apartamento de alto padrão, foi encontrada na cracolândia depois de dois anos. De março até agora, a secretaria fez 1.500 encaminhamentos de usuários de drogas, mas só 18 aceitaram atendimento.



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