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Bombeiro da Baixada
Luxa chega com a missão de apagar ‘incêndios’ na Vila. Terá cinco meses para mostrar serviço
Sanches Filho, sanches.filho@grupoestado.com.br
Vanderlei Luxemburgo teve ontem uma recepção digna de grande campeão na apresentação para a sua quarta passagem pelo Santos. O anfiteatro do Hotel Recanto dos Alvinegros, junto ao Centro de Treinamentos Rei Pelé, ficou lotado pelos principais dirigentes do clube e jornalistas. Membros das organizadas foram barrados no portão.
Ao contrário das vezes anteriores, ele chegou sem projetos mirabolantes e não falou de conquista de título. Agora os seus desafios são tirar o time do 13º lugar na classificação, consertar a defesa mais vazada do Campeonato Brasileiro (26 gols sofridos), acabar com os rachas no elenco e recuperar a confiança dos jogadores, principalmente das promessas Neymar e Paulo Henrique Ganso. Seu contrato é de apenas cinco meses.
“O que eu prometo é trabalho. Mas tenho certeza de que vou colocar o Santos na Libertadores”, prometeu Luxemburgo, adiantando que até já conversou com o presidente Marcelo Teixeira quanto à possibilidade de esticar o contrato por mais um ano. “Com a vaga na Libertadores, tenho certeza de que estarei dentro em 2010.”
Quanto à contratação de reforços, Luxemburgo chegou a brincar com Teixeira, ao responder se no bolo santista não estaria faltando a cereja prometida pelo presidente. “Solta a cereja aí, Marcelo.” E o dirigente respondeu que no lugar da cereja ele contratou o chantilly, apontando para o técnico.
Luxemburgo ponderou que é arriscado demais repatriar brasileiros que estão na Europa porque eles estão em período de férias, demoram a entrar em forma e não há garantia de que vão jogar bem. “Além disso, é um custo alto para 18, 20 jogos. O Santos tem uma geração muito boa, com Neymar, Paulo Henrique Ganso e alguns juvenis. Pode ser que a cereja esteja aqui dentro.”
Como qualquer assunto envolvendo dinheiro é segredo impenetrável no Santos, não se sabe quanto Luxemburgo vai ganhar. Ele revelou que estava pescando do lado argentino de Foz do Iguaçu, dois dias depois de Vágner Mancini ser mandado embora, quando recebeu a primeira ligação de Teixeira. E não revelou mais nada.
Irritação
A impressão é de que ele sempre foi o plano A do presidente. Fala-se que o clube vai pagar R$ 450 mil mensais ao grupo. A Luxemburgo caberiam R$ 350 mil por mês e os outros R$ 100 mil seriam destinados aos seus três companheiros de comissão, o preparador físico Antonio Mello, o auxiliar de preparação física Lulinha, filho do presidente da República, e o auxiliar técnico Nei Pandolfo.
Luxemburgo perdeu o bom humor apenas uma vez na coletiva, ao responder se não estaria voltando em baixa para o Santos por ter sido demitido pelo Palmeiras. “Minha história no Palmeiras é bonita. Saí por uma divergência, porque o diretor interpretou uma entrevista do jeito que ele quis. Como sou boleiro, usei o termo de boleiro. Por isso falei que era barriga de aluguel e ele ficou chateado. Mas fui campeão paulista com um time que estava havia 11 anos sem ganhar. Se estivesse em baixa o Santos não me contrataria.”
Na política?
A respeito de sua ideia de se candidatar ao Senado por Tocantins nas eleições de 2010, Luxemburgo disse que quando a pessoa vai ficando mais velha tem de pensar no que fazer no futuro. “Tenho um projeto lá para as pessoas jogarem bola, que foi encampado pelo pessoal do Estado. A gente não sabe o que vai acontecer amanhã.”
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